sexta-feira, 28 de julho de 2017

TRATAMENTO PARA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

A maioria dos pacientes dependentes químicos me procuram com muito receio da internação psiquiátrica para desintoxicação. Eu diria que não há regra para tal conduta, entretanto, é muito difícil que haja resposta satisfatória por longo período se ela não acontecer em algum momento do tratamento. Geralmente ela se faz necessária pelo risco da síndrome de abstinência no início do tratamento. Em alguns casos existe a possibilidade de internação psiquiátrica domiciliar, porem, as orientações aos familiares ou cuidadores devem ser realizadas com muito cuidado e a experiência e disponibilidade do psiquiatra são imprescindíveis. 

Primeiro ponto que quero ressaltar nesse tipo de tratamento, independente se houver ou não indicação para internação, é sobre a motivação. Não há tratamento para dependência química se não houver motivação do paciente. O apoio familiar ou de amigos é extremamente importante, mas os tratamentos mediados apenas por eles, sem que o paciente esteja de acordo, geralmente não tem resposta satisfatória. Muitas vezes o primeiro passo no tratamento para dependência química é trabalhar em psicoterapia semanal a motivação para o tratamento. 

Em relação às medicações utilizadas nesse processo, vejo que os pacientes criam muita expectativa em relação aos seus efeitos terapêuticos. A maioria chega ao meu consultório com a ideia de que se tomá-las ficarão sem usar as drogas como em um passe de mágicas e, infelizmente, isso está longe de ser verdade. Oque realmente ocorre é que não há medicações específicas para esse fim, mas existem muitas medicações que podem auxiliar no tratamento, dependendo, por exemplo, das comorbidades psíquicas e de outras particularidades a serem analisadas no consultório. 

O tratamento para dependência química é na verdade multidisciplinar, ou seja, medicamentoso, psicoterápico, clinico, desportivo e nutricional. A psicoterapia inclui não apenas a psicoterapia convencional, mas também as terapias alternativas direcionadas ao auto- conhecimento e ao auto- controle.

COMO IDENTIFICAR A SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA DO ÁLCOOL E O QUE FAZER

Atendo muitos pacientes dependentes químicos e um dos medos expressados durante a consulta é em relação a internação. 

A síndrome de abstinência do álcool se manifesta por náuseas, vômitos, tremores, fraqueza, suor excessivo, agitação, inquietação, alucinações, convulsões, taquicardia, pressão alta e delirium. Esses sintomas ocorrem após 6 horas da interrupção do consumo. Esse conjunto de sinais e sintomas pode levar a morte e, por isso, é recomendável que tal intervenção seja realizada em ambiente hospitalar. 

Nesse momento é necessário um ambiente com poucos estímulos e que seja calmo, os desequilíbrios eletrolíticos devem ser corrigidos, a reposicao de líquidos é muito importante. Deve-se ficar atento para as comorbidades clínicas, cirúrgicas ou psiquiátricas. O encaminhamento para a abordagem psicossocial deve fazer parte do processo. Existem muitas clínicas com atendimento ideal nessa área e seu psiquiatra certamente saberá lhe encaminhar. Uma vez tratando a abstinência em clinica psiquiátrica especializada, o foco deve ser a prevenção de recaídas em ambiente ambulatorial, ou seja, no consultório.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Revista Bem Estar - Tristeza ou Depressão?

Muitas pessoas me perguntam se estão com depressão porque estão tristes. Na verdade, a tristeza é uma das emoções básicas do indivíduo e, se for situacional e transitória, é normal e até fisiológica. Aliás, a tristeza eu diria que é salutar  para a nossa evolução como um todo; entretanto, essa tristeza pode tornar-se a doença chamada de depressão se persistir por longo período e for sentida na maior parte do dia, causando prejuízo no funcionamento global do indivíduo. O luto é um exemplo de tristeza situacional e transitória, mas pode tornar-se depressão sim. O luto normal é caracterizado basicamente por três etapas: negação, adaptação e aceitação. Vale ressaltar que o luto não envolve apenas a perda de pessoas, mas também as perdas pessoais relacionadas à saúde ou de suas capacidades funcionais.
Outra forma de identificar se o estado de tristeza transformou-se em depressão é observar a desesperança. Indivíduos apenas tristes, mas não deprimidos, não perdem a capacidade de acreditar no futuro e na sua melhora. Não deixam de acreditar em si mesmos. Vale ressaltar que algumas variações de humor são absolutamente normais na medida em que nenhuma pessoa é tão linear nas suas expressões emocionais. Aliás, um indivíduo que não fica triste não é considerado normal.
Quando se percebe a depressão é momento de procurar um psiquiatra. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta mais de 320 milhões de indivíduos no mundo e é a quarta maior causa de incapacidade. No Brasil, cerca de 5,8% da população, ou seja, 11,5 milhões de brasileiros, têm a doença.
O tratamento será sempre individualizado, até porque existem vários tipos de depressão e diferentes graduações. Além disso, precisamos levar em conta que cada indivíduo reage de uma forma diferente à mesma abordagem terapêutica na medida em que tem vivências diferentes e que não possui a mesma genética e condições clínicas dos demais. Para mim, a única regra que vale para todos os pacientes é a necessidade da mudança no estilo de vida com resultados surpreendentes, principalmente se um dos objetivos for prevenir episódios futuros.
Perca o medo e o preconceito, não perca tempo. Procure um psiquiatra.