segunda-feira, 3 de abril de 2017


Transtorno da identidade de gênero

Não é incomum receber no consultório pacientes com transtorno de identidade e gênero. Há muitos anos, durante a minha formação como psiquiatra no HCPA no ambulatório específico para essa patologia psíquica coordenada pela minha brilhante professora e psiquiatra renomada Maria Inês tive a oportunidade de entender muito bem sobre o assunto para poder tratar de forma adequada e correta os pacientes com esse transtorno.

Primeiro precisamos entender o que é identidade de gênero. Nada mais é do que o estado psicológico que reflete a sensação de ser mulher ou homem até cerca de 3 anos de idade. Geralmente esse estado psicológico corresponde ao sexo biológico.

O transtorno de identidade de gênero se caracteriza pelo desejo persistente de ser, ou a certeza de que se é do sexo oposto e pelo sofrimento, constrangimento ou desconforto excessivo com o próprio sexo e o papel do gênero.

Em relação a etiologia, FATORES BIOLÓGICOS em que a feminilidade, masculinidade e identidade e gênero são resultados mais de situações pós-Natal do que questões hormonais pré-natal e FATORES PSICOSSOCIAIS em que a qualidade do relacionamento mãe e filho é muito importante nos primeiros anos de vida da criança para que seja estabelecida a identidade de gênero.

O transtorno de identidade e gênero é chamado também de transexualismo, mas essa denominação ocorre quando esses pacientes com transtorno de identidade e gênero têm preocupação persistente de mudar suas características primárias e secundárias para adquirir características do outro sexo.

O tratamento é bastante complexo e apresenta, eu diria, que pouco sucesso terapêutico se o grande objetivo é reverter a situação. O primeiro passo é aceitar o problema e pedir ajuda do psiquiatra. Percebo muitas vezes que a cirurgia para mudança de sexo é decidida de forma impulsiva, geralmente quando tem alguma comorbidade psíquica envolvida principalmente depressão e ansiedade. Esse procedimento é viável, mas é imprescindível pensar de forma clara e equilibrada em relação a isso. A psicoterapia nesses casos é, ao meu ver, fundamental.


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