segunda-feira, 3 de abril de 2017

A depressão na infância e adolescência

Na minha prática clínica atendo muito mais jovens adultos e idosos do que crianças  e adolescentes, mas a procura de ajuda nessas faixas etárias tem aumentado sobremaneira nos últimos anos.

Freud no início do século passado foi categórico ao concluir que crianças por viverem basicamente sob o domínio do ID e; portanto, serem movidas por impulsos de prazer imediato não poderiam ter depressão. Isso porque dizia que os sintomas principais da depressão eram baixa auto estima e culpa. Disse que a baixa auto estima é função do superego e dizia ser inexistente nas crianças. Além disso, dizia que a culpa er relacionada às consequências dos seus atos oque seria impossível para uma criança avaliarem; portanto senti-la.

Felizmente essas "verdades" foram derrubadas tempos depois.  Minha formação Psiquiatrica já ensinava a psiquiatria infantil. De qualquer forma custei a acreditar que realmente as crianças poderiam sofrer de depressão. Percebi que não são apenas os adultos com suas rotinas estressantes no meio social, laboral e familiar que tem depressão, mas também crianças com dois anos, por exemplo.

Não demorou para que eu concluiu-se, mesmo tendo lido diversas vezes na literatura, que a depressão atinge todas as faixas etárias.

A prevalência brasileira de depressão infantil é de 1% dos 7 aos 14 anos e idade. O suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos e a sexta causa de morte em crianças dos 5 aos 15 anos. O índice de suicídio entre crianças e jovens dos 5 aos 24 anos triplicou desde 1960.

Com a prática no consultório fui percebendo que apesar de as depressões em adultos, crianças e adolescentes serem diagnosticadas pelos mesmos critérios diagnósticos, elas possuem muitas peculiaridades e o psiquiatra precisa ter esse conhecimento seja durante o curso de psiquiatria geral, por estudo próprio ou em subespecializações da área nessas faixas etárias.

Na depressão infantil percebo que é muito comum vir acompanhada de outros quadros psíquicos, são as chamadas comorbidades psíquicas. No meu dia a dia no consultório as mais comuns são uso de drogas, os transtornos de ansiedade (ansiedade de separação, pânico, fobias, TOC e TEPT), o TDAH e os transtornos alimentares (anorexia, bulimia e compulsão alimentar). Alem disso, dependendo da faixa etária os sintomas variam muito de apresentação.

O tratamento irá depender de cada caso e de diversos fatores, mas geralmente é multidisciplinar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário