sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Dependência Química - Revista Bem Estar


A dependência química é uma triste realidade na nossa sociedade e, infelizmente, está cada vez mais frequente. As substâncias químicas capazes de causar dependência são muitas. As mais conhecidas são álcool, anfetaminas, cafeína, cannabis (maconha e haxixe), cocaína, crack, alucinógenos, inalantes, nicotina, opióides, fenciclidina, sedativos, hipnóticos ou ansiolíticos e esteróides anabolizantes. Todas elas causam prejuízo orgânico e psicológico em curto, médio ou longo prazo. O álcool, por exemplo, está associado a avitaminoses com prejuízo cognitivo permanente e altos índices de câncer, doenças cardíacas e hepáticas. Além disso, o prejuízo torna-se ainda maior porque a dependência dessa substância tem forte ligação com o uso de drogas ilícitas.
No meu consultório percebo que é muito mais comum o que defino como “polidependência” do que a dependência por apenas uma substância. Outra percepção importante é que dificilmente a dependência química vem desassociada de algum problema psíquico, e o mais comum é a co-morbidade com ansiedade e, ou, depressão, mas também com transtornos de personalidade. O ideal é tentar estabelecer o problema primário, mas para isso é imprescindível que haja um período considerável de abstinência.
A epidemiologia da dependência de substâncias psicoativas é assustadora. O Brasil lidera índices preocupantes no mercado mundial principalmente no consumo de cocaína, maconha e ecstasy. Os dados mais recentes apontam que houve um aumento considerável do acesso precoce a bebidas alcoólicas e drogas ilícitas na nossa sociedade e isso é muito preocupante. Presencio quase que diariamente a banalização do uso de drogas lícitas ou ilícitas, principalmente, pelos adolescentes. Geralmente, o discurso é que para fins recreativos não há problema algum e que sabem se controlar
porque não são dependentes. Tenho recebido no meu consultório muitos pais preocupados com o caminho que seus filhos estão seguindo em relação ao uso de substâncias e me perguntam se é tão ruim assim usá-las. A sociedade não pode aceitar a dependência química como algo normal e que faz parte de uma fase da vida do indivíduo. O porque dessa, eu diria, “negação” dos últimos tempos de que droga não causa assim tanto prejuízo, seria um assunto extenso e extremamente complexo para abordar aqui.
O fato é que a dependência química, independente da substância, é prejudicial em um âmbito global do funcionamento de quaisquer indivíduos, sendo na esfera física e, ou, emocional. O prejuízo pode não aparecer logo, mas certamente se o padrão de dependência for mantido ele será inevitável e muitas vezes irreparável, podendo causar a morte. Em relação ao tratamento existem muitas possibilidades, mas a abordagem ideal é sempre multidisciplinar. O leque de possibilidades é realmente grande com diferentes técnicas ou procedimentos específicos, incluindo a abordagem farmacológica e diferentes programas de tratamento. O psiquiatra saberá definir o tratamento ideal para cada caso e acredito que a familia ou as pessoas mais próximas são muito importantes para o processo de melhora. Porém, o primeiro passo para deixar a droga é ter motivação para tal.
Perca o medo e o preconceito. Não perca tempo. Procure um psiquiatra.
https://revistabemestar.com/2017/11/13/dependencia-quimica/


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

DEPRESSÃO OU MELANCOLIA PÓS-PARTO?


Muitas mulheres as quais eu atendo no consultório engravidam durante o tratamento, já estão gestantes quando me procuram, ou necessitam de orientação após o parto. Em quaisquer das situações, o quadro geralmente é de sintomas depressivos; porém, nem sempre o diagnóstico é de depressão pós-parto como a maioria pensa, e sim uma condição bem mais prevalente chamada de melancolia puerperal, baby blues ou blues puerperal. Esse quadro se caracteriza por ser uma alteração transitória no humor após o parto que acomete cerca de 80% das mulheres. O quadro inicia três a quatro dias após o parto, desaparecendo espontaneamente em, no máximo, um mês.

Os sintomas mais comuns são tristeza, irritabilidade, ansiedade, choro fácil, indisposição, insegurança, baixa auto estima, sensação de incapacidade, preocupação excessiva em relação ao bebê e diminuição da concentração. Em geral, são leves com duração de apenas algumas horas a poucos dias. Esse quadro, provavelmente, se deve às alterações hormonais que ocorrem com toda mulher nessa fase, além de outras questões, como o estresse do parto e da consciência de responsabilidade aumentada. Além disso, a maioria das recém-mamães se culpa por estar se sentindo dessa forma, e isso agrava toda a situação.
Outra questão importante a ressaltar é que a maternidade é um momento de reviver a própria infância, principalmente a primeira, onde podem ter sido originados os grandes conflitos internos e as grandes inquietações da fase adulta. A maternidade é, na verdade, uma grande oportunidade para o crescimento psíquico. Entretanto, muitas vezes, o caminho é penoso e a psicoterapia faz-se necessária. Ela simboliza o morrer e o nascer novamente, e a restauração do ‘ego’ torna-se nesse momento imprescindível para que a mesma consiga seguir o seu caminho. Ser mãe possibilita a reelaboração de conflitos pessoais relacionados à história de vida. O apoio familiar, os grupos de apoio ao pós-parto e os profissionais especializados podem ajudar muito nesse momento.
O tratamento ideal é multidisciplinar. Algumas atitudes de amigos e familiares são igualmente importantes, tais como limitar o número de visitas, incentivar o descanso e auxiliar nas tarefas de casa. Brigas e discussões devem ser evitadas. A melancolia pós-parto não é frescura ou fraqueza, e sim um comportamento involuntário que precisa ser respeitado e tratado com muito cuidado e afeto. Em relação à depressão pós-parto, inicia-se dentro de três a seis meses após o parto e costuma acometer mães que já têm antecedentes psíquicos. Os sintomas, apesar da semelhança com o baby blues, são mais intensos, duradouros e incapacitantes, podendo ser acompanhados de psicoses, como pensamentos bizarros e paranóides. Nesse caso, além da psicoterapia e de outras medidas, a medicação torna-se necessária.
Acredito que toda gestante deveria realizar o rastreamento para doenças psíquicas já na primeira consulta pré-natal, isso diminuiria sobremaneira o risco de um prognóstico negativo diante de sintomas depressivos após o parto. Ao menor sintoma psíquico após o parto, ou se já existe histórico psiquiátrico, ou até mesmo se a própria infância foi vivenciada com traumas e más recordações, procure um psiquiatra. Ele certamente saberá elaborar o melhor tratamento.

https://revistabemestar.com/2017/07/31/depressao-ou-melancolia-pos-parto/

sexta-feira, 28 de julho de 2017

TRATAMENTO PARA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

A maioria dos pacientes dependentes químicos me procuram com muito receio da internação psiquiátrica para desintoxicação. Eu diria que não há regra para tal conduta, entretanto, é muito difícil que haja resposta satisfatória por longo período se ela não acontecer em algum momento do tratamento. Geralmente ela se faz necessária pelo risco da síndrome de abstinência no início do tratamento. Em alguns casos existe a possibilidade de internação psiquiátrica domiciliar, porem, as orientações aos familiares ou cuidadores devem ser realizadas com muito cuidado e a experiência e disponibilidade do psiquiatra são imprescindíveis. 

Primeiro ponto que quero ressaltar nesse tipo de tratamento, independente se houver ou não indicação para internação, é sobre a motivação. Não há tratamento para dependência química se não houver motivação do paciente. O apoio familiar ou de amigos é extremamente importante, mas os tratamentos mediados apenas por eles, sem que o paciente esteja de acordo, geralmente não tem resposta satisfatória. Muitas vezes o primeiro passo no tratamento para dependência química é trabalhar em psicoterapia semanal a motivação para o tratamento. 

Em relação às medicações utilizadas nesse processo, vejo que os pacientes criam muita expectativa em relação aos seus efeitos terapêuticos. A maioria chega ao meu consultório com a ideia de que se tomá-las ficarão sem usar as drogas como em um passe de mágicas e, infelizmente, isso está longe de ser verdade. Oque realmente ocorre é que não há medicações específicas para esse fim, mas existem muitas medicações que podem auxiliar no tratamento, dependendo, por exemplo, das comorbidades psíquicas e de outras particularidades a serem analisadas no consultório. 

O tratamento para dependência química é na verdade multidisciplinar, ou seja, medicamentoso, psicoterápico, clinico, desportivo e nutricional. A psicoterapia inclui não apenas a psicoterapia convencional, mas também as terapias alternativas direcionadas ao auto- conhecimento e ao auto- controle.

COMO IDENTIFICAR A SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA DO ÁLCOOL E O QUE FAZER

Atendo muitos pacientes dependentes químicos e um dos medos expressados durante a consulta é em relação a internação. 

A síndrome de abstinência do álcool se manifesta por náuseas, vômitos, tremores, fraqueza, suor excessivo, agitação, inquietação, alucinações, convulsões, taquicardia, pressão alta e delirium. Esses sintomas ocorrem após 6 horas da interrupção do consumo. Esse conjunto de sinais e sintomas pode levar a morte e, por isso, é recomendável que tal intervenção seja realizada em ambiente hospitalar. 

Nesse momento é necessário um ambiente com poucos estímulos e que seja calmo, os desequilíbrios eletrolíticos devem ser corrigidos, a reposicao de líquidos é muito importante. Deve-se ficar atento para as comorbidades clínicas, cirúrgicas ou psiquiátricas. O encaminhamento para a abordagem psicossocial deve fazer parte do processo. Existem muitas clínicas com atendimento ideal nessa área e seu psiquiatra certamente saberá lhe encaminhar. Uma vez tratando a abstinência em clinica psiquiátrica especializada, o foco deve ser a prevenção de recaídas em ambiente ambulatorial, ou seja, no consultório.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Revista Bem Estar - Tristeza ou Depressão?

Muitas pessoas me perguntam se estão com depressão porque estão tristes. Na verdade, a tristeza é uma das emoções básicas do indivíduo e, se for situacional e transitória, é normal e até fisiológica. Aliás, a tristeza eu diria que é salutar  para a nossa evolução como um todo; entretanto, essa tristeza pode tornar-se a doença chamada de depressão se persistir por longo período e for sentida na maior parte do dia, causando prejuízo no funcionamento global do indivíduo. O luto é um exemplo de tristeza situacional e transitória, mas pode tornar-se depressão sim. O luto normal é caracterizado basicamente por três etapas: negação, adaptação e aceitação. Vale ressaltar que o luto não envolve apenas a perda de pessoas, mas também as perdas pessoais relacionadas à saúde ou de suas capacidades funcionais.
Outra forma de identificar se o estado de tristeza transformou-se em depressão é observar a desesperança. Indivíduos apenas tristes, mas não deprimidos, não perdem a capacidade de acreditar no futuro e na sua melhora. Não deixam de acreditar em si mesmos. Vale ressaltar que algumas variações de humor são absolutamente normais na medida em que nenhuma pessoa é tão linear nas suas expressões emocionais. Aliás, um indivíduo que não fica triste não é considerado normal.
Quando se percebe a depressão é momento de procurar um psiquiatra. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta mais de 320 milhões de indivíduos no mundo e é a quarta maior causa de incapacidade. No Brasil, cerca de 5,8% da população, ou seja, 11,5 milhões de brasileiros, têm a doença.
O tratamento será sempre individualizado, até porque existem vários tipos de depressão e diferentes graduações. Além disso, precisamos levar em conta que cada indivíduo reage de uma forma diferente à mesma abordagem terapêutica na medida em que tem vivências diferentes e que não possui a mesma genética e condições clínicas dos demais. Para mim, a única regra que vale para todos os pacientes é a necessidade da mudança no estilo de vida com resultados surpreendentes, principalmente se um dos objetivos for prevenir episódios futuros.
Perca o medo e o preconceito, não perca tempo. Procure um psiquiatra.

segunda-feira, 3 de abril de 2017


Transtorno da identidade de gênero

Não é incomum receber no consultório pacientes com transtorno de identidade e gênero. Há muitos anos, durante a minha formação como psiquiatra no HCPA no ambulatório específico para essa patologia psíquica coordenada pela minha brilhante professora e psiquiatra renomada Maria Inês tive a oportunidade de entender muito bem sobre o assunto para poder tratar de forma adequada e correta os pacientes com esse transtorno.

Primeiro precisamos entender o que é identidade de gênero. Nada mais é do que o estado psicológico que reflete a sensação de ser mulher ou homem até cerca de 3 anos de idade. Geralmente esse estado psicológico corresponde ao sexo biológico.

O transtorno de identidade de gênero se caracteriza pelo desejo persistente de ser, ou a certeza de que se é do sexo oposto e pelo sofrimento, constrangimento ou desconforto excessivo com o próprio sexo e o papel do gênero.

Em relação a etiologia, FATORES BIOLÓGICOS em que a feminilidade, masculinidade e identidade e gênero são resultados mais de situações pós-Natal do que questões hormonais pré-natal e FATORES PSICOSSOCIAIS em que a qualidade do relacionamento mãe e filho é muito importante nos primeiros anos de vida da criança para que seja estabelecida a identidade de gênero.

O transtorno de identidade e gênero é chamado também de transexualismo, mas essa denominação ocorre quando esses pacientes com transtorno de identidade e gênero têm preocupação persistente de mudar suas características primárias e secundárias para adquirir características do outro sexo.

O tratamento é bastante complexo e apresenta, eu diria, que pouco sucesso terapêutico se o grande objetivo é reverter a situação. O primeiro passo é aceitar o problema e pedir ajuda do psiquiatra. Percebo muitas vezes que a cirurgia para mudança de sexo é decidida de forma impulsiva, geralmente quando tem alguma comorbidade psíquica envolvida principalmente depressão e ansiedade. Esse procedimento é viável, mas é imprescindível pensar de forma clara e equilibrada em relação a isso. A psicoterapia nesses casos é, ao meu ver, fundamental.


A depressão na infância e adolescência

Na minha prática clínica atendo muito mais jovens adultos e idosos do que crianças  e adolescentes, mas a procura de ajuda nessas faixas etárias tem aumentado sobremaneira nos últimos anos.

Freud no início do século passado foi categórico ao concluir que crianças por viverem basicamente sob o domínio do ID e; portanto, serem movidas por impulsos de prazer imediato não poderiam ter depressão. Isso porque dizia que os sintomas principais da depressão eram baixa auto estima e culpa. Disse que a baixa auto estima é função do superego e dizia ser inexistente nas crianças. Além disso, dizia que a culpa er relacionada às consequências dos seus atos oque seria impossível para uma criança avaliarem; portanto senti-la.

Felizmente essas "verdades" foram derrubadas tempos depois.  Minha formação Psiquiatrica já ensinava a psiquiatria infantil. De qualquer forma custei a acreditar que realmente as crianças poderiam sofrer de depressão. Percebi que não são apenas os adultos com suas rotinas estressantes no meio social, laboral e familiar que tem depressão, mas também crianças com dois anos, por exemplo.

Não demorou para que eu concluiu-se, mesmo tendo lido diversas vezes na literatura, que a depressão atinge todas as faixas etárias.

A prevalência brasileira de depressão infantil é de 1% dos 7 aos 14 anos e idade. O suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos e a sexta causa de morte em crianças dos 5 aos 15 anos. O índice de suicídio entre crianças e jovens dos 5 aos 24 anos triplicou desde 1960.

Com a prática no consultório fui percebendo que apesar de as depressões em adultos, crianças e adolescentes serem diagnosticadas pelos mesmos critérios diagnósticos, elas possuem muitas peculiaridades e o psiquiatra precisa ter esse conhecimento seja durante o curso de psiquiatria geral, por estudo próprio ou em subespecializações da área nessas faixas etárias.

Na depressão infantil percebo que é muito comum vir acompanhada de outros quadros psíquicos, são as chamadas comorbidades psíquicas. No meu dia a dia no consultório as mais comuns são uso de drogas, os transtornos de ansiedade (ansiedade de separação, pânico, fobias, TOC e TEPT), o TDAH e os transtornos alimentares (anorexia, bulimia e compulsão alimentar). Alem disso, dependendo da faixa etária os sintomas variam muito de apresentação.

O tratamento irá depender de cada caso e de diversos fatores, mas geralmente é multidisciplinar.

domingo, 2 de abril de 2017

A dependência afetiva não é amor

Muitas pessoas procuram a ajuda dos psiquiatras e psicólogos por problemas no relacionamento afetivo. Eu diria que na maioria das vezes a causa é a dependência afetiva. Na nossa sociedade há uma cumplicidade pelas relações patológicas ou dependentes. Nos cartões das papelarias, por exemplo, as frases são sempre as mesmas, "não vivo sem você", "você é tudo para mim", "sem você a vida não tem sentido" e por aí vai. Apesar disso precisamos entender que a dependência excessiva não é nada saudável e sim extremamente prejudicial ao nosso mundo interno.

 Depender do parceiro definitivamente não é amor. Na verdade a dependência afetiva é um vício e deve ser tratada como qualquer outra adição. A pessoa dependente perde a sua identidade e torna-se um anexo do outro com o passar do tempo. Ocorre na verdade uma despersonalização do dependente afetivo e isso é extremamente maléfico para a mente.

A independência afetiva, como a maioria pensa, não é indiferença, egoísmo, desonestidade e nem insensibilidade, pelo contrário, é a forma mais genuína de amor. Amar com desapego não é desamor e sim um amor verdadeiro, aliás, é um ato de amor.

Por trás dessa dependência existem vários medos inconscientes e é preciso entendê-los para poder tratá-los. Ninguém deve viver sem afeto, mas não deve escravizar-se. O amor é respeito e deveria vir para somar e não para preencher um vazio. Aliás não devemos ter vazios e se houverem é sinal de que algo não está certo. Em uma relação saudável os dois são livres, respeitosos e individuais, apesar de estarem juntos. Não é saudável a fusão desmedida, a submissão e a falta de autorespeito ou dignidade. Cada um precisa manter a identidade e repito, isso não significa distancia ou frieza na relação.

É possível amar com muito afeto e respeito sem ser dependente ou viciado na pessoa que se diz amar.  Pessoas dependentes nas suas relações percebem o amor pelo parceiro ou parceira como algo infinito, mágico e quase transcendental. Fica parecendo que a única coisa importante e boa na vida do dependente afetivo é aquela pessoa que se diz amar e todas as fichas são depositadas nessa relação em que o "resto" não importa. Esquece de ir em busca de seus sonhos, de desempenhar sua criatividade, de interagir socialmente com amigos e com a família, de informar-se e estudar, de sentir-se feliz e pleno independente da companhia. É preciso entender que na vida temos diversos pilares que nos seguram em situações de queda. A relação amorosa é somente um dos pilares.

Em relação às causas do vício são inúmeras como a baixa auto suficiência, a vulnerabilidades ao rompimento afetivo, a baixa autoestima, o baixo autoconceito. Os medos são do desamparo e da falta de proteção, do abandono, do desamor e da desaprovação ou desprezo.

O tratamento para a dependência  afetiva é muito difícil porque precisa de muita motivação, mas é possível. Nesse caso enfrentar o medo não é terapêutico. Aliás nem para a dependência afetiva e nem para a dependência química. Afastar-se do vício ao invés de enfrenta-lo parece ser a grande solução.

O importante é pedir ajuda e tratar a real causa do problema que geralmente são problemas nas referências materno e / ou paterna na infância. A psicoterapia se não houver comorbidades psíquicas é a escolha de tratamento.

sábado, 1 de abril de 2017

Depressão

Durante os anos como psiquiatra acumulei muita experiência na área e não temo em dizer que a depressão vai muito mais além do que verdades científicas absolutas. O que eu estou querendo dizer é que a depressão é muito mais complexa do que gostaríamos que fosse. Posso dizer que as informações acerca da depressão são inúmeras, mas as verdades absolutas em relação a ela muito raras. Ao meu ver as informações devem se complementar e não ser excludentes. Sem duvida as causas da depressão são diversas, mas não só bioquímica, genética, psicológica e/ ou ambiental. Existem outra fatores que podem causá-la e vejo isso no consultório de forma sistemática.

 A grande verdade da depressão ao meu ver é que o sofrimento psíquico é muitas vezes imensurável de tão doloroso e incapacitante e o grande objetivo deve ser  sempre combater essa tristeza e readquirir a esperança. Pensando por esse prisma podemos utilizar todas as informações em relação a ela para poder ajudar de fato o paciente e não tentar apenas enquadra-lo em quadros depressivos exatamente como estão escritos na literatura científica, como se tivesse um protocolo estabelecido.

A experiência ao longo desses anos foram cruciais para o acúmulo de informações sobre a depressão é elas só vem a somar para que cada paciente de um forma individualizada receba um plano terapêutico realmente eficaz. A depressão de fato se apresenta de forma muito distinta e quanto mais informações em relação a ela e menos verdades absolutas levarmos em consideração, mais eficaz será o tratamento.
Tristeza ou depressão?

Muitas pessoas me perguntam se estão deprimidas por que estão tristes. Na verdade a tristeza é uma das emoções básicas do indivíduo e se for situacional e transitóriaé normal e até fisiológica. Aliás, a tristeza é salutar para a nossa evolução como um todo; entretanto, essa tristeza pode tornar-se depressão se persistir por longo período e for sentida na maior parte do dia, causando prejuízo no funcionamento global do indivíduo. O luto é um exemplo de tristeza situacional e transitória, mas pode tornar-se depressão. O luto normal é caracterizado por três etapas, negação, adaptação e aceitação. Vale ressaltar que o luto não envolve apenas a perda de pessoas, mas também as perdas pessoais relacionadas à saúde ou de suas capacidades funcionais.

Outra forma de identificar se o estado de tristeza transformou-se em depressão é observar a desesperança. Indivíduos apenas tristes, mas não deprimido não perdem a capacidade de acreditar no futuro e na sua melhora. Não deixam de acreditar em si mesmos. Vale ressaltar que algumas variações de humor são absolutamente normais na medida em que nenhuma pessoa é tão linear nas suas expressões emocionais. Aliás um indivíduo que não fica triste não é considerado normal. Quando de percebe a depressão é momento de procurar um psiquiatra.