sábado, 29 de outubro de 2016

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)!

O TOC acomete cerca de 2% das pessoas e, sem duvida, é uma das doenças psiquiátricas mais incapacitantes. Até há pouco tempo era considerado raro, hoje é descrito como comum. No Brasil existem cerca de 3 a 4 milhões de portadores.

Basicamente os sintomas do TOC envolvem alterações do PENSAMENTO (obsessões como dúvidas, preocupações excessivas com doenças, com falhas, pensamentos de conteúdo impróprio); do COMPORTAMENTO (rituais ou compulsões, repetições, evitações, lentidão para realizar tarefas, indecisão) e EMOCIONAIS (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão).

Na verdade, o TOC é um transtorno heterogêneo que pode se apresentar com uma variedade grande de sintomas. Esses sintomas interferem de forma significativa tanto na vida do paciente como na vida da família ou outras pessoas do convívio social. Na maioria das vezes o indivíduo exige que a família e amigos realizem os mesmos rituais como por exemplo tirar os sapatos e roupas antes de entrarem na sua casa.

Em geral as pessoas portadoras da doença estão sempre ansiosas e pensam sistematicamente que algo de muito ruim pode acontecer a qualquer momento. São as preocupações.

Essas preocupações e medos fazem com que desenvolvam diversos rituais. No meu consultório os mais comuns são: banhos extremamente demorados, já tive pacientes com lesões importantes na pele, principalmente nas mãos, devido ao uso de esponjas
de cozinha, a parte verde que é extremadamente abrasiva, pelo corpo várias vezes por dia; verificações repetitivas das portas, janelas ou gás; se o alarme do carro ou da casa está desligado ou se o carro está com a marcha na posição correta. Os rituais de organização são também muito comuns no consultório. As pessoas organizam o armário de roupas de acordo com tamanho, cor e tipo de roupa. Passam horas do dia em função dessa organização. Há as que passam muito tempo organizando a mesa de trabalho, estantes ou louça da cozinha. Existem também os rituais em que o indivíduo não pode sentar no sofá com as roupas que usou na rua e muitas vezes exige que todos tirem os sapatos antes de entrar em casa; além disso, lavam até as chaves, acreditando que tudo que vem da rua poderá contaminar o ambiente. Os exemplos são diversos. Poderia escrever um livro com eles.

Em geral, os pacientes relatam que realizando tais rituais, que muitas vezes são chamados de manias, o indivíduo acredita que estará evitando uma catástrofe. Percebo que na maioria das vezes essas pessoas têm vergonha dos rituais e se escondem para realizá-los. Existem também aqueles que sentem medo de colocar em prática pensamentos absurdos e sentem muita culpa por isso. Tinha um paciente que pensava o tempo todo em jogar água quente no seu cão de estimação que era tão querido, obediente e amável. Essa pessoa passava a maior parte do dia com medo de que realmente pudesse agir dessa forma, mesmo sabendo que não tinha perfil agressivo. Alguns pessoas com TOC pensam que podem ter desvio de caráter, serem pessoas más e que não merecem consideração. A baixa auto estima é quase via de regra nos portadores de TOC.

Em resumo tudo começa com uma obsessão que nada mais é do que um pensamento que invade a mente de forma intrusiva, repetida e persistente. A partir daí, o indivíduo desenvolve os rituais. Exemplificando com um caso do consultório para que fique mais claro, o indivíduo tem a obsessão que é a preocupação excessiva com sujeira, germes ou contaminação. Essa obsessão causa medo de contaminação ou de contrair doenças. Para acabar com o medo, o indivíduo adota medidas de neutralização, realizando o ritual de lavação das mãos inúmeras vezes ao longo do dia ou, evitando contato com objetos ou pessoas.

Medos e comportamentos repetitivos são as características mais comuns do TOC, mas realizar o diagnóstico não é tão simples assim. Além da presença de obsessões ou compulsões, os sintomas devem consumir pelo menos uma hora do dia do indivíduo e causar prejuízo na rotina em casa, no ambiente laboral, na vida social e/ou familiar.

Em relação ao tratamento, ele deve ser sempre individualizado. Existe a possibilidade do uso de medicações, mas geralmente a abordagem psicoterápica em particular a cognitivo comportamental por tempo indeterminado e semanal tem melhor resposta. A união das duas modalidades de tratamento e quase sempre o ideal.

Diante de algum desses sintomas procure um médico psiquiatra e faça uma avaliação individualizada. Ele certamente saberá orientá-lo para que haja a remissão dos sintomas.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Transtorno de tique!



Não é incomum pacientes me procurarem por apresentarem tiques, mas o que é isso? 

Tiques são contrações musculares rápidas e repetitivas que resultam em movimentos ou vocalizações involuntárias. 

É um transtorno neuropsiquiátrico que geralmente inicia na infância ou adolescência, podendo ser constantes ou oscilantes com o passar do tempo. 

Existem vários tipos de tiques o mais conhecido é a síndrome de Gilles de lá Tourette ou transtorno de Tourette. Existem ainda o transtorno de tique motor ou vocal crônico, transtorno de tique transitório e transtorno de tique sem outra especificação. 

No transtorno de Tourette, existem tiques motores múltiplos e um ou mais tiques vocais como coprolalia e ecolalia. Ocorrem muitas vezes ao dia por mais de um ano. Tal transtorno causa prejuízo no funcionamento global do indivíduo e inicia antes dos 18 anos de idade. Coprolalia é a tendência involuntária de dizer palavras obscenas ou fazer comentários depreciativos ou inadequados, podendo fazer referência a excremento, genitais ou ato sexual. Ecolalia nesse caso é quando o indivíduo repete de forma mecânica palavras ou frases que ouve. 

O tratamento irá depender da gravidade e da frequência dos tiques; do sofrimento do paciente, dos efeitos dos tiques sobre a escola ou o trabalho, o desempenho profissional e a socialização; e da presença de outro transtorno mental concomitante. Muitas vezes o bom funcionamento social e acadêmico pode não requerer tratamento. Em geral técnicas comportamentais em especial abordagens de inversão de hábitos e farmacoterapia em conjunto têm o melhor resultado. Antipsicóticos convencionais e de alta potência reduzem os tiques de forma significativa, mas devem ser minuciosamente avaliados em relação à sua indicação principalmente em crianças. 

O mais comum na minha prática clínica em adultos e que coincide com a literatura é a co-morbidade de comportamentos de tique e transtornos ou apenas sintomas obsessivo-compulsivos. Nesses casos os antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina podem ajudar em monoterapia ou em combinação com antipsicóticos. 

Em relação ao prognóstico, geralmente os tiques são transitórios, iniciam com 6 a 8 anos de idade e duram cerca de 4 a 6 anos, cessando no início da adolescência. Quando os tiques envolvem os membros ou o tronco a tendência é que a duração dos tiques seja maior, podendo cronificar-se, já os tiques faciais são de melhor prognóstico. É importante até ressaltar que tal transtorno ocorre tanto em crianças como em adultos e idosos. 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Viver com depressão

Achei pertinente compartilhar esse vídeo com vocês, pois sem dúvida ilustra muito bem como geralmente evolui a depressão. Ouço diariamente no consultório descrições nem sempre tão poéticas, mas muito parecidas com as dramatizadas pela jovem. 

Certamente muitas pessoas irão se identificar com ele, pois a prevalência dessa doença é extremamente alta em todo o mundo. O objetivo é conscientizar o maior número de pessoas a buscar ajuda profissional o quanto antes e interromper esse ciclo tão devastador de sentimentos. 

Procure um psiquiatra ou psicólogo, peça ajuda. Existem diversos tratamentos para depressão e possibilidade de remissão total dos sintomas.