quinta-feira, 7 de julho de 2016

Depressão!

A depressão é uma doença psiquiátrica que afeta pessoas de qualquer idade, sexo, raça, condição cultural ou financeira. 

Caracteriza-se basicamente por anedonia, apatia, alterações cognitivas (como capacidade de relacionar-se, de concentrar-se ou de tomar decisões), alterações psicomotoras (como lentidão, fadiga e sensação de fraqueza), alterações do sono (tanto insônia como hipersonia), alterações do apetite (com diminuição ou aumento do mesmo), déficit de libido, isolacionismo social, ideação suicida e prejuízo funcional (no trabalho ou na escola, por exemplo).

A depressão é diferente do humor triste situacional que é uma das emoções básicas do ser humano e corriqueiras vivenciadas por todo indivíduo em algum momento da sua vida. 

Para que haja o diagnóstico de depressão os sintomas acima descritos devem ser duradouros, persistentes a maior parte do dia, quase todos os dias por pelo menos duas semanas, causando prejuízo no funcionamento global do indivíduo. 

A prevalência de depressão é de cerca de 19% na população mundial. De 5 pessoas uma sofre, sofreu ou sofrerá de depressão. A OMS estima que em 2030 a doença será a mais comum, ficando à frente do câncer. 

A depressão é mais comum entre pessoas de 24 a 44 anos, mas tenho percebido o aumento de casos entre idosos, crianças e adolescentes. As mulheres são mais acometidas pela doença pela questão hormonal e outras fatores ainda não tão evidentes. Também é mais prevalente em países subdesenvolvidos e de clima frio. 

Em relação às causas, são inúmeras e bastante controversas. Acredita-se que o fator genético seja preponderante. Diferente do que muitas pessoas imaginam os estressores ambientais e sociais podem ser consequências da depressão e não as causas da mesma.

Existem muitos pacientes que comentam sobre o fato de não perceberam causas pontuais para estarem com a depressão, culpando-se ainda mais pela situação, o que dificulta o tratamento, piorando sobremaneira o prognóstico.

Existem evidências de desequilíbrio entre os neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina os quais atuam no sistema límbico cerebral, área das emoções. Outros processos que ocorrem a nível neuronal estão envolvidos. O estresse pode desencadear a depressão em pessoas que têm alguma predisposição genética. 

Sempre lembrando que existem doenças clínicas que podem desencadear a depressão, nesses casos a depressão é tratada de forma secundária. O tratamento direciona-se para a doença de base até que os sintomas depressivos desapareçam. 

O tratamento para depressão é essencialmente medicamentoso, com antidepressivos. Existem mais de 30 possibilidades de fármacos no mercado. Utiliza-se monoterapia ou associações farmacológicas por período que deve ser determinado pelo médico psiquiatra. Cada pessoa tem suas particularidades e podem apresentar a mesma doença de formas diferentes. O tratamento deve ser, portanto, individualizado. Algumas pessoas precisam de manutenção do tratamento por tempo prolongado e/ ou preventivo, dependendo de uma série de fatores a serem avaliados em consultório. 

A psicoterapia auxilia no tratamento da depressão como coadjuvante, mas é importante que o paciente encontre-se emocionalmente mais estável  e não na fase aguda da doença para que não haja agravo do quadro. Todas as possibilidades devem ser avaliadas pelo psiquiatra e prescritas se necessário. A psicoterapia auxilia na reestruturação psicológica da pessoa, aumentando sua compreensão acerca do processo da doença e resolução de conflitos que possam ter sido e tornarem-se gatilhos para novos episódios. 



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Psicoterapia em pacientes idosos!

A psicoterapia no idoso vem sendo um tema gerador de controvérsias ao longo dos anos. Freud desaconselhava essa prática em pacientes perto ou acima dos 50 anos e em meados de 1972 publicou que: "A elasticidade dos processos mentais dos quais depende o tratamento via de regra se acha ausente, as pessoas idosas já não são mais educáveis...".

Porém, um fato interessante é que Freud compartilhou essa ideia quando estava com quase 50 anos e em fase plena de sua atividade mental. Após 15 anos foi concluído por Abraham que a idade da neurose é muito mais importante do que a idade do paciente em termos de prognóstico. 

As psicoterapia  existentes, inclusive a de orientação analítica, são todas eficazes para tratar o idoso em sofrimento psíquico; entretanto, é imprescindível que a avaliação e indicação seja cuidadosa. 

Atualmente o idoso tem ganhado espaço e, conseqüemtemente, a psiquiatria Geriatrica ou psicogeriatria, visibilidade social. Cada vez mais o idoso é considerado um indivíduo preservado em sua identidade; portanto, passível de qualquer abordagem psicoterápica. 

Os pacientes idosos procuram cada vez mais a abordagem psicoterápica quando necessitam de tratamento psiquiátrico. Além disso, percebo que são tratados de forma diferente dos pacientes jovens, mesmo quando sofrem do mesmo transtorno psíquico. Uma das explicações para essa minha observação é o fato de o diagnóstico e o tratamento em idosos serem mais complexos na medida em que, em geral, esses pacientes têm diversas comorbidades clínicas, o que torna difícil diagnosticar e tratar transtornos mentais e orgânicos de forma concomitante. 

Também é perceptível que estudos que abordam psicoterapia no idoso são ainda escassos se comparados aos artigos com abordagem farmacológica, o que também acaba desmotivando os profissionais de saúde mental a tratar de pacientes idosos. 

Nem todo idoso é incapaz de modificar atitudes e comportamentos e que através de uma avaliação minuciosa acerca dos recursos internos e externos do paciente, da real capacidade cognitiva, se é saudável ou se possui alguma patologia, é possível selecionar a abordagem psicoterápica mais adequada e eficaz para cada paciente. 

Os dados de prevalência para transtornos mentais em idosos variam bastante, mas em geral 25% tem sintomas psiquiátricos significativos e o diagnóstico mais estudado é depressão. 

Em relação às técnicas psicoterápicas a que demonstra maior eficácia clinica é a terapia cognitiva comportamental (TCC).

Então, no âmbito da saúde mental, é perceptível que ha maior procura de idosos por tratamentos psiquiátricos e isso engloba qualquer modalidade dentro da especialidade psiquiatrica, inclusive psicoterapia nas suas diversas modalidades.

A marginalização e a visão estereotipada do idoso são hoje em dia ultrapassadas e inadequadas, fazendo do idoso um cidadão apto e capaz em todos os sentidos. 

Diante de um sofrimento psíquico persistente que esteja afetando a sua funcionalidade social, pessoal, emocional ou profissional procure um médico psiquiatra para realizar uma avaliação. 
Existem diversas possibilidades de abordagem para que se consiga melhorar a qualidade de vida ou até mesmo resgata-la. 

Psicoterapias! 

Os tratamentos psicoterápicos, ou seja, as terapias, psiquiátricas ou psicológicas, apresentam quatro categorias. 

PSICOTERAPIA INDIVIDUAL: pode ser breve, geralmente 12 sessões, ou prolongada por tempo indeterminado. Pode ser de APOIO, mais indicada para transtornos de adaptação, crises emocionais agudas ou quando o que se espera é um funcionamento melhorado como na esquizofrenia, por exemplo. ORIENTADA AO INSIGTH, indicada no tratamento da ansiedade, depressões, transtornos dissociativos e somatoformes, transtornos de personalidade, neurose e traumas. 

MODIFICAÇÃO DO COMPORTAMENTO: são um grupo de terapia que trabalha com os princípios da aprendizagem. Nelas estão inseridas a DESSEMSIBILIZAÇÃO SISTEMÁTICA, expondo o paciente a estímulos causadores de ansiedade e ensinando-os a relaxar. Geralmente utilizada nas fobias. SUBSTITUIÇÃO que nada mais é do que substituir um comportamento indesejado por outro desejado (fumar/ mascar chicletes). HIPNOSE que é a indução de um estado avançado de relaxamento durante o qual são realizadas sugestões. Muito utilizada para dores crônicas e transtornos conversivos. 

TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL: utilizada para a modificação de comportamentos prejudiciais ao funcionamento do paciente que acontecem como resultado de respostas cognitivas. Geralmente utilizada para depressão unipolar, criando basicamente pensamentos menos pessimistas e mais realistas. 

TERAPIAS SOCIAIS: ocorrem em grupo, família ou casal as técnicas utilizam os princípios da terapia de casal e de apoio individual. 

Cada caso deve ser avaliado pelo psiquiatra ou psicólogo para que assim seja definida a melhor indicação. As psicoterapias quando há indicação, motivação do indivíduo para realizá-la, persistência e habilitação pelo profissional que a realizará tem resultados surpreendentemente positivos. 

Psicofármacos e automedicação!

Os medicamentos utilizados na psiquiatria se dividem em ANTIDEPRESSIVOS que incluem os ESTABILIZADORES DE HUMOR os ANTIPSICÓTICOS e os ANSIOLÍTICOS / HIPNÓTICOS onde estão inclusos os benzodiazepinicos. 

Esses fármacos afetam os neurotransmissores principalmente as monoaminas que são noradrenalina, dopamina, serotonina, acetilcolina e histamina e os aminoácidos ácido Gama -aminobutirico (GABA) e o ácido glutâmico. 

Cada fármaco tem sua indicação, particularidades, incluindo efeitos adversos e indicações. A anamnese que é o momento em que obtemos informações do paciente para que seja realizado o diagnóstico deve ser minuciosa. 

O paciente precisa dar o máximo de informações nesse momento e o médico precisa questionar acerca de tudo que avaliar como necessário, caso o paciente já não o tenha informado. 

Doenças clínicas e uso de medicações de uso contínuo para hipertensão arterial, diabetes, glaucoma, insuficiência renal, doenças auto imunes e outras infinidades de doenças agudas ou crônicas  podem contraindicar o uso de psicofármacos ou, se mesmo nessas condições precisarem serem prescritas, é necessário ajuste de doses e avaliações mais frequentes com solicitações sistemáticas de exames laboratoriais para avaliar função hepática, renal e tireoidea se necessário.

Os transtornos de humor podem também ser causados por uma condição clínica geral, ou seja, podem ser causados por uma doença orgânica e muitas vezes tratando essa doença de base, os sintomas de humor desaparecem sem que seja necessário o uso de psicofármacos. 

Algumas dessas condições clínicas que podem causar transtornos de humor sendo elas agudas ou crônicas são as seguintes: Doença de Parkinson, Doença de Huntington, Doença de Wilson, Acidente vascular cerebral (AVC), Neoplasia cerebral, Trauma cerebral (TCE), Encefalite, Esclerose múltipla, Epilepsia de lobo temporal, hipertireoidismo, hipotireoidismo, hiperparatireoidismo, hipoparatireoidismo, Uremia, Síndrome de Cushing, Doença de Addison, Lúpus eritematoso sistêmico, Artrite reumatoide, Deficiência de folato, Deficiência de vitamina B12 e Síndrome da imunodeficiência adquirida. 

Portanto, utilizar  psicofármacos por conta, seja do vizinho, amigo ou familiar, balconista da farmácia, farmacêutico, enfermeiro, técnico de enfermagem ou qualquer outro profissional mesmo que atue na área da saúde que não seja seu médico NÃO É RECOMENDADO. A auto medicação pode causar efeitos graves e permanentes no organismo, podendo levar a morte. Percebo na prática clínica consequências graves da automedicação e muitas vezes podem ser irreversíveis. Procure um profissional habilitado pra que o mesmo prescreva psicofármacos se forem realmente necessários,  PROCURE SEMPRE O MÉDICO. JAMAIS SE AUTO MEDIQUE!! 

Esquizofrenia de início precoce!

A esquizofrenia é um transtorno mental que causa sofrimento psíquico grave, caracterizada principalmente pela alteração no contato com a realidade. Para que se faça o diagnóstico são necessários 2 ou mais sintomas como alucinações visuais, sinestésicas ou auditivas, delírios, fala desorganizada, catatônismo e/ou sintomas depressivos. Essa doença pode atingir qualquer idade, raça, classe social e País. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) acomete cerca de 1% da população. 

Em geral inicia no final da adolescência e início da idade adulta. Raramente se apresenta em crianças com 5 ou 10 anos e quando acontece é mais comum em crianças do sexo masculino. 

Estressores psicossociais influenciam o curso da doença e é de menor frequência que o transtorno autista.

Na esquizofrenia de início precoce, ou seja, com 5 ou 10 anos, os sintomas iniciam geralmente de forma insidiosa, apesar de que existem relatos de início subido em crianças com bom desempenho escolar anteriormente. 

O transtorno de personalidade esquizotípico é um diagnósticos diferencial, mas não tem manifestações psicóticas como na esquizofrenia, como por exemplo, alucinações, delírios e incoerência. No transtorno de personalidade esquizotípico ocorre, como na esquizofrenia, afetividade inapropriada, pensamentos mágicos excessivos, crenças bizarras, isolamento social e ideias de referência e ilusões o que as torna muito semelhantes em alguns casos. 

Não existem evidências comprovadas em relação à sua causa. Não há até o momento qualquer marcadores biológicos evidentes. Os estudos genéticos têm; portanto, evidência substancial. 

Quando o início da esquizofrenia de início precoce é insidioso, ocorre após afeto inapropriado e comportamento incomum e a criança pode levar meses ou anos para satisfazer critérios diagnósticos. Pode apresentar deterioração no desempenho junto com sintomas psicóticos. Portanto o diagnóstico demora para ser estabelecido. Torna-se por isso necessário que haja um acompanhamento psiquiátrico/psicológico por tempo indeterminado tratando-se a sintomatologia com medicações se necessário e orientando tto multidisciplinar. 

Geralmente o tratamento medicamentoso ocorre com antipsicóticos, mas é necessária uma programação educacional individualizada e intervenções para habilidades sociais de forma concomitante. O tratamento deve ser multidisciplinar como já mencionado para que haja um melhor prognóstico. 

Psicoterapia intensiva e de apoio ao longo prazo combinada a farmacoterapia é a abordagem ideal.