segunda-feira, 13 de junho de 2016

Psiquiatria...


Uso abusivo e indiscriminado de Benzodiazepinicos!

Benzodiazepinicos são um grupo de fármacos ansiolíticos utilizados para vários fins como redução da ansiedade e agressividade, sedativos, hipnóticos indutores do sono, relaxantes musculares, pois reduzem o tônus muscular e possuem atividade anticonvulsivante. 

Os efeitos descritos irão depender do benzodiazepinico e da forma como será prescrito, incluindo turno de tomada e dosagem. Essas medicações são depressoras do sistema nervoso central e agem basicamente aumentando o neurotransmissor GABA, atenuando as reações químicas provocadas pela ansiedade. 

Esses fármacos estão presentes na prática médica há cerca de 40 anos e já foi considerado tratamento de primeira escolha para diversas patologias. O primeiro benzodiazepinico foi o Clordiazepóxico e seu efeito foi descoberto acidentalmente, virando alternativa aos barbitúricos e outros sedativos utilizados antes da década de 70. 

Teoricamente tal benzodiazepinico apresentava menos risco de depressão respiratória do sistema nervoso central, além de diminuir o potencial de tolerância e dependência. A partir daí foram lançadas no mercado uma infinidade de Benzodiazepinicos, podendo ser utilizadas por via oral, intravenosa, intramuscular ou retal. Então na década de 70 houve uma explosão de prescrições dos benzodiazepinicos. Eles começaram a ser amplamente prescritos e de forma, eu diria, desenfreada e indiscriminada. 

A Organização Mundial de Saúde mostrava consumo anual de 500 milhões no Brasil, acredito que hoje muito mais. Já na década de 80 foi detectado uso nocivo e risco de dependência dessas substâncias, diminuindo a atividade psicomotora, prejudicando a memória de forma permanente, tonturas, zumbidos e reação paradoxal como desinibição, agressividade e excitação. Além disso, houveram evidências de tolerância e dependência química o que é ainda, infelizmente, negligenciado ou desconhecido por muitos prescritores. 

Apesar da crescente consciência dos seus malefícios não só no meio médico, mas também pela comunidade leiga, eles continuam a serem amplamente utilizados e percebo isso na minha prática clínica diariamente. O uso prolongado, diário e em doses inadequadas desse tipo de substância incluem deterioração geral da saúde mental e física, posso garantir. 

Percebo em pacientes que fazem uso indevido de Benzodiazepinicos prejuízo cognitivo, problemas afetivos e comportamentais, como agitação, dificuldade de pensar de forma criativa, diminuição da libido, agarofobia, fobia social, ansiedade e incapacidade de expressar emoções. De acordo com a minha observação clinica em consultório de 100 pacientes atendidos 80% usam ou já fizeram uso de algum benzodiazepinico para causas diversas, incluindo crianças, adolescentes, adultos jovens e idosos. Dos pacientes que fazem uso por cerca de 12 meses, mas já vi bem antes disso, 90% desenvolveu algum prejuízo na memória recente e isso não pode ser coincidência. 

Desses 100 pacientes todos eles são dependentes da medicação e tiveram sintomas da síndrome da abstinência ao tentar suspendê-las mesmo que de forma gradual como deve ser. O uso de tais medicações é maior entre mulheres idosas, mas o aumento da sua utilização em crianças e adolescentes é alarmante. Quando pergunto de que forma conseguem tais substâncias respondem que é muito fácil consegui-las. Conseguem dos amigos, vizinhos, parentes, balconistas de farmácias, farmacêuticos, médicos, internet e por aí vai. A lista de possibilidades é inacreditavelmente grande.

Deixo claro que os Benzodiazepinicos são medicações seguras e eficazes se forem prescritas, por médicos obviamente, com muita cautela após avaliação criteriosa e cuidadosa, devendo ser por tempo limitado e que seja sempre a última possibilidade. Hoje em dia existem diversas abordagens farmacológicas alternativas a esses fármacos, não precisando mais serem prescritos como primeira escolha para nenhuma patologia. Deixo claro que nunca é tarde para descontinuar o uso desse tipo de medicação, existem alternativas, procure o seu médico psiquiatra e converse sobre isso. O benefício a longo prazo é gratificante.