segunda-feira, 7 de março de 2016

Conceito de normalidade!



Muitas pessoas se perguntam o que é ser "normal"?  Essa questão é muito controvérsia. Na verdade existem diversos critérios a serem avaliados para que se possa definir a normalidade. Tudo depende do objetivo que se tem em mente, das opções filosóficas disponíveis e dos fenômenos específicos com os quais se trabalha. No livro " psicopalologia e semiologia dos transtornos mentais", de Paulo Dalgalarrondo, os critérios de normalidade estão muito bem definidos. Resumo-os da seguinte forma:
1- Normalidade como ausência de doença: normal do ponto de vista psicopatológico, seria o indivíduo que não é portador de um transtorno mental definido...
2- Normalidade ideal: a normalidade aqui é tomada como uma certa utopia. Tal norma é de fato socialmente constituída e referendada. Depende, portanto, de critérios socioculturais e ideológicos arbitrários, e, às vezes, dogmáticos e doutrinários...
3- Normalidade estatística: identifica normalidade e freqüência. Trata-se de um conceito de normalidade que se aplica especialmente a fenômenos quantitativos, com determinada distribuição estatística na população geral, como peso, altura, tensão arterial, horas de sono, quantidade de sintomas ansiosos e etc. Os indivíduos que se situam estatisticamente fora de uma curva de distribuição normal, passam a ser considerados anormais ou doentes...
4- Normalidade como bem estar: A OMS definiu a saúde como completo bem estar físico, mental e social... É um conceito vasto e impreciso, pois bem estar é algo difícil de se definir objetivamente. Além disso, parece um tanto utópico...
5- Normalidade funcional: tal conceito baseia-se em aspectos funcionais e não necessariamente quantitativos. O fenômeno é considerado patológico a partir do momento em que é disfuncional, produz sofrimento para o próprio indivíduo ou para o seu grupo social...
6- Normalidade como processo: aqui consideram-se os aspectos dinâmicos de desenvolvimento psicossocial, das desestruturar e das reestruturações ao longo do tempo, de crises, de mudanças próprias a certos períodos etários....
7- Normalidade subjetiva: é dada maior ênfase à percepção subjetiva do próprio indivíduo em relação a seu estado de saúde, às suas vivências subjetivas....
8- Normalidade como liberdade: Alguns autores de orientação fenomenológica e existencial propõe conceituar a doença mental como perda da liberdade existencial. Dessa forma a saúde mental se vincularia às possibilidades de transitar com graus distintos de liberdade sobre o mundo sobre o próprio destino....
9- Normalidade operacional: defini-se o que è normal e o que é patológico e busca-se trabalhar operacionalmente com esses conceitos, aceitando as consequências de tal definição previa...

Então, de acordo com Paulo, de modo geral, pode-se concluir que os critérios de normalidade e de doença em psicopatologia variam consideravelmente em função dos fenômenos específicos com os quais se trabalha e, também, de acordo com as opções filosóficas do leitor...

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