quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Relação entre atividade física e saúde mental!






       Olá pessoal,  a relação entre a atividade física e a saúde mental já é assunto bem fundamentado. Mas como a atividade física pode influenciar de fato na nossa saúde mental? Pois então, existem diversas evidências de que a atividade física regular, avaliada e acompanhada por educador físico de acordo com as limitações de cada um, elevam a autoestima, a imagem corporal, as funções cognitivas, a socialização, dependendo do tipo de atividade, a diminuição da ansiedade e melhora da depressão. O sedentarismo, segundo um estudo realizado em Harvard, é o gasto calórico semanal que deveria ser em torno de 2200 cal, dependendo do paciente. Esse hábito nocivo de vida está relacionado não apenas com as doenças clínicas orgânicas, como por exemplo, Hipertensão Arteria Sistêmica (H.A.S), Diabetes (D.M), obesidade, osteoporose, alguns cânceres, doenças coronarianas, isquemia cerebral (A.V.C), Alzheimer e Parkinson, mas também com as doenças psíquicas, pois diminuem o tempo de melhora e agravam o prognóstico das mesmas. A O.M.S estima que o sedentarismo contribui para 2 milhões de mortes anuais no mundo e 60% da população mundial não pratica atividades físicas regularmente. A atividade física melhora sim a atenção, a memória, a agilidade e o padrão do humor, aumentando os níveis de neurotransmissores e, modificando estruturas cerebrais. Ocorre o aumento da circulação cerebral e há alteração na síntese e degradação de neurotransmissores, além de diminuir a pressão arterial, diminuir níveis de triglicérides e inibir a agregação plaquetária. Todas essas modificações melhora de forma ampla o indivíduo, biologicamente e psiquicamente. Além disso, o estresse crônico pode aumentar os níveis de cortisol sanguíneo, deprimindo o sistema imune, tornando-o assim mais suscetível a afecções orgânicas e conseqüentemente psíquicas. A atividade física frequente e bem assistida está relacionada com o bem estar psíquico e físico em qualquer idade e em todos os sexos, também diminui respostas emocionais descontroladas frente ao estressor, ansiedade e abuso ou dependência de substâncias. A atividade física regular diminui níveis leves e moderados de depressão e ansiedade e se relaciona com alguns comportamentos neuróticos de personalidade. A criatividade e a concentração se expandem. Sempre que possível oriento aos meus pacientes que pratiquem atividade física regularmente e a resposta é sempre positiva, é um excelente coadjuvante nos tratamentos psiquiátricos farmacológico e psicoterápico.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O cão como acompanhante terapêutico!

Muito interessante o artigo que acabei de ler acerca do impacto positivo que um cão pode oferecer ao dono que esteja deprimido. Na minha prática clínica percebo o quanto ter um cão e cuidá-lo é realmente um grande aliado no tratamento de doenças psíquicas como a depressão, por exemplo. 

"Depressão é doença freqüentemente associada a forte estigma social, provocando afastamento do convívio, intensificando sintomas emocionais da doença como tristeza e sentimentos de baixa estima”, diz o médico Rakesh Jain, diretor de pesquisa de drogas psiquiátricas, do Centro de Pesquisas Clínicas de Lake Jackson, no Texas. “Enquanto médico, familiares e amigos, devem formar as bases  de qualquer rede de apoio, os cães podem desempenhar importante papel como companhia permanente. Eles podem ajudar a reduzir sintomas emocionais, ao mesmo tempo em que, possivelmente auxiliam em outros sintomas como fadiga ou falta de energia, em caminhadas diárias”.

Pesquisas têm demonstrado que há muitos benefícios em potencial ao ter um cão que auxilia o cuidado de profissionais de saúde de pacientes com depressão.
A maioria dos proprietários de animais sente que esses animais de estimação tornam-se extremamente importantes quando estão tristes, solitários e deprimidos.
Cães demonstram qualidades desejáveis de um bom amigo: ouvem, oferecem contato físico e empatia.
Metade das pessoas que possuem um cão acreditam que seus animais fazem diferença na vida. O aumento da quantidade de exercícios e a companhia são as diferenças mais importantes referidas.
Adotar cães está vinculado a maior satisrfação na vida e melhor saúde física e mental." 


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Legalização da maconha!

A declaração da (ABP) Associação Brasileira de Psiquiatria sobre a polêmica acerca da legalização da maconha é muito interessante e expressa com clareza o meu ponto de vista sobre o tema. Indico a leitura.


http://www.abp.org.br/manifesto/manifesto.pdf

Transtorno misto ansioso e depressivo!

 Acredito que a maioria das pessoas conheçam as doenças depressão e ansiedade como sendo dissociadas e distintas. Na verdade os são; porém, podem coexistir. Existe, portanto, na psiquiatria, o chamado TRANSTORNO MISTO DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO. Ocorre nesse caso a combinação de sintomas e isso é muito mais prevalente do que imaginamos. No manual conciso de psiquiatria os autores dizem que é comum a coexistência de transtorno depressivo maior e transtorno de pânico, que é um dos transtornos de ansiedade. Relata que até 2/3 dos pacientes com sintomas depressivos apresentam sintomas proeminentes de ansiedade, e um terço pode satisfazer os critérios diagnósticos para transtorno do pânico. Exatamente o que percebo na minha prática clínica. Em relação ao tratamento existem diversas modalidades. Existem as abordagens psicoterapêuticas, como TCC (terapia cognitivo comportamental) e psicoterapia orientado ao insight, por exemplo. Existe a abordagem farmacológica, podendo incluir ansiolíticos, antidepressivos ou ambos. A decisão do tratamento com ansiolíticos precisa ser muito cautelosa devido ao risco de o paciente criar dependência química pelo mesmo e prejuízo permanente, principalmente na memória recente, com o uso a longo prazo desse tipo de substância. Os mais conhecidos são: Diazepam, Clonazepam (famoso Rivotril), Bromazepam e Alprazolam. Geralmente, quando realmente muito necessário, e isso deve ser avaliado em cada  paciente porque cada caso tem a sua especificidade e por isso não há uma regra geral ou um protocolo a ser seguido, prescrevo ansiolíticos apenas no início do tratamento até que o antidepressivo inicie o seu efeito terapêutico e em seguida vou suspendendo o ansiolítico gradualmente. Em relação à quais antidepressivos utilizar prefiro os serotoninérgicos a despeito das teorias noradrenérgicas presentes. Na minha opinião 
são mais eficazes e incluem a Fluoxetina, Paroxetina, Sertralina, Citalopram, Fluvoxamina ou Venlafaxina, geralmente. Na minha prática clínica procuro multidisciplinaridade o tratamento com terapia concomitante a terapia medicamentoso. Um forte abraço e espero ter ajudado de alguma forma. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Conceito de saúde!

Iniciarei escrevendo acerca da definição de SAÚDE a qual engloba a SAÚDE MENTAL, obviamente nosso tema principal. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), saúde é um estado completo de bem estar físico, mental e social e não somente a ausência de afecções e enfermidades. Eu iria um pouco além disso. Acredito que saúde seja o estado completo de bem estar físico, mental, social e espiritual e não somente a ausência de afecções e enfermidades. Sim eu disse ESPIRITUAL! Atualmente a questão da espiritualidade como sendo um dos alicerces da vida saudável, está sendo cada vez mais bem aceita e difundida pelos profissionais da área da saúde. Para mim isso é um grande avanço. Existem muitos estudos e literatura sobre o assunto. Muitos psiquiatras e psicólogos, por exemplo, questionando, estudando e levando em consideracao a espiritualidade no contexto da saúde para melhorar o prognóstico do paciente. Sem me estender no tema espiritualidade, decidi apenas comentar porque  realmente acredito que nos momentos difíceis, o paciente precisa de todo o suporte que puderem encontrar para se tornarem fortes e capazes de lidar com os seus conflitos. Em caso de doença orgânica ou psíquica, a espiritualidade pode sim dar aos pacientes mais motivação para enfrentarem o problema e isso certamente auxilia no tratamento médico. Percebo com a minha experiência como psiquiatra no consultório que os pacientes que seguem ou praticam alguma religião ou que apenas acreditam que haja algo maior, inexplicável ou subjetivo, ou seja, os pacientes que tem FÉ, melhoram dos conflitos psíquicos com menos sofrimento e ultrapassam essa fase enferma mais rapidamente. Aliás não me restrinjo apenas aos pacientes e expando a importância da espiritualidade para todo e qualquer ser humano esteja ele enfermo ou saudável. Mas afinal o que é espiritualidade?.. Segundo o autor Guimarães, Hélio Penna, o qual escreveu " o impacto da espiritualidade na saúde física"....espiritualidade é a propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, á procura de um sentido de conexão com algo maior que si próprio; além disso, Marcelo Saad, que escreveu o livro intitulado "espiritualidade baseado em evidências", comenta que a espiritualidade pode ou não estar ligada a uma vivência religiosa. Citei esses exemplos porque foram com os que eu mais me identifiquei. Acredito exatamente nisso e procuro despertar os pacientes para essa questão quando há brechas para que isso ocorra. Utilizo na minha prática clínica diária para melhor entender os pacientes que a mim solicitam ajuda. Acredito que precisamos ampliar a mente para melhor ajudá-los.. A psiquiatria não é uma área exata,  matemática, e limitada em verdades cientificamente comprovadas. No momento estou lendo o livro  "a psicologia da espiritualidade" cujo autor, Larry Culiford, médico, cirurgião e clínico geral que voltou sua atenção aos estudos de psiquiatria na Escola de Medicina do Hospital St George, em Londres e recomendo a todos vcs meus queridos amigos, é realmente muito interessante. E, para finalizar, todas as pessoas podem apresentar sinais de sofrimento psíquico em alguma fase da sua vida e apenas isso não formu-la quaisquer diagnósticos. E então amigos? O que pensam a esse respeito...aguardo seus comentários.

" Negligenciar a dimensão espiritual é como ignorar o aspecto social ou psicológico do paciente e resulta em falha ao tratar a pessoa integralmente", Harold Koening. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Compartilhando conhecimento!

Queridos amigos, pacientes, colegas médicos de qualquer outra especialidade ou até mesmo psiquiatras, psicólogos, outros profissionais de saúde mental e interessados no tema em geral . Espero que gostem das postagens e que também compartilhem comigo suas dúvidas  e experiências nessa área tão complexa e, muitas vezes difícil; porém apaixonante. Meu objetivo com o Blog é conseguir ajudá-los de alguma forma, compartilhando o meu conhecimento e experiência clínica, bem como, aprendendo ainda mais com a ajuda de todos vocês.


" O valor de todo o conhecimento está no seu vínculo com as nossas necessidades, aspirações e ações; de outra forma, o conhecimento torna-se um simples lastro de memória, capaz apenas, como um navio que navega com demasiado peso, de diminuir a oscilação da vida quotidiana ".
(V.O. Kliutchevski)