sábado, 29 de outubro de 2016

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)!

O TOC acomete cerca de 2% das pessoas e, sem duvida, é uma das doenças psiquiátricas mais incapacitantes. Até há pouco tempo era considerado raro, hoje é descrito como comum. No Brasil existem cerca de 3 a 4 milhões de portadores.

Basicamente os sintomas do TOC envolvem alterações do PENSAMENTO (obsessões como dúvidas, preocupações excessivas com doenças, com falhas, pensamentos de conteúdo impróprio); do COMPORTAMENTO (rituais ou compulsões, repetições, evitações, lentidão para realizar tarefas, indecisão) e EMOCIONAIS (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão).

Na verdade, o TOC é um transtorno heterogêneo que pode se apresentar com uma variedade grande de sintomas. Esses sintomas interferem de forma significativa tanto na vida do paciente como na vida da família ou outras pessoas do convívio social. Na maioria das vezes o indivíduo exige que a família e amigos realizem os mesmos rituais como por exemplo tirar os sapatos e roupas antes de entrarem na sua casa.

Em geral as pessoas portadoras da doença estão sempre ansiosas e pensam sistematicamente que algo de muito ruim pode acontecer a qualquer momento. São as preocupações.

Essas preocupações e medos fazem com que desenvolvam diversos rituais. No meu consultório os mais comuns são: banhos extremamente demorados, já tive pacientes com lesões importantes na pele, principalmente nas mãos, devido ao uso de esponjas
de cozinha, a parte verde que é extremadamente abrasiva, pelo corpo várias vezes por dia; verificações repetitivas das portas, janelas ou gás; se o alarme do carro ou da casa está desligado ou se o carro está com a marcha na posição correta. Os rituais de organização são também muito comuns no consultório. As pessoas organizam o armário de roupas de acordo com tamanho, cor e tipo de roupa. Passam horas do dia em função dessa organização. Há as que passam muito tempo organizando a mesa de trabalho, estantes ou louça da cozinha. Existem também os rituais em que o indivíduo não pode sentar no sofá com as roupas que usou na rua e muitas vezes exige que todos tirem os sapatos antes de entrar em casa; além disso, lavam até as chaves, acreditando que tudo que vem da rua poderá contaminar o ambiente. Os exemplos são diversos. Poderia escrever um livro com eles.

Em geral, os pacientes relatam que realizando tais rituais, que muitas vezes são chamados de manias, o indivíduo acredita que estará evitando uma catástrofe. Percebo que na maioria das vezes essas pessoas têm vergonha dos rituais e se escondem para realizá-los. Existem também aqueles que sentem medo de colocar em prática pensamentos absurdos e sentem muita culpa por isso. Tinha um paciente que pensava o tempo todo em jogar água quente no seu cão de estimação que era tão querido, obediente e amável. Essa pessoa passava a maior parte do dia com medo de que realmente pudesse agir dessa forma, mesmo sabendo que não tinha perfil agressivo. Alguns pessoas com TOC pensam que podem ter desvio de caráter, serem pessoas más e que não merecem consideração. A baixa auto estima é quase via de regra nos portadores de TOC.

Em resumo tudo começa com uma obsessão que nada mais é do que um pensamento que invade a mente de forma intrusiva, repetida e persistente. A partir daí, o indivíduo desenvolve os rituais. Exemplificando com um caso do consultório para que fique mais claro, o indivíduo tem a obsessão que é a preocupação excessiva com sujeira, germes ou contaminação. Essa obsessão causa medo de contaminação ou de contrair doenças. Para acabar com o medo, o indivíduo adota medidas de neutralização, realizando o ritual de lavação das mãos inúmeras vezes ao longo do dia ou, evitando contato com objetos ou pessoas.

Medos e comportamentos repetitivos são as características mais comuns do TOC, mas realizar o diagnóstico não é tão simples assim. Além da presença de obsessões ou compulsões, os sintomas devem consumir pelo menos uma hora do dia do indivíduo e causar prejuízo na rotina em casa, no ambiente laboral, na vida social e/ou familiar.

Em relação ao tratamento, ele deve ser sempre individualizado. Existe a possibilidade do uso de medicações, mas geralmente a abordagem psicoterápica em particular a cognitivo comportamental por tempo indeterminado e semanal tem melhor resposta. A união das duas modalidades de tratamento e quase sempre o ideal.

Diante de algum desses sintomas procure um médico psiquiatra e faça uma avaliação individualizada. Ele certamente saberá orientá-lo para que haja a remissão dos sintomas.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Transtorno de tique!



Não é incomum pacientes me procurarem por apresentarem tiques, mas o que é isso? 

Tiques são contrações musculares rápidas e repetitivas que resultam em movimentos ou vocalizações involuntárias. 

É um transtorno neuropsiquiátrico que geralmente inicia na infância ou adolescência, podendo ser constantes ou oscilantes com o passar do tempo. 

Existem vários tipos de tiques o mais conhecido é a síndrome de Gilles de lá Tourette ou transtorno de Tourette. Existem ainda o transtorno de tique motor ou vocal crônico, transtorno de tique transitório e transtorno de tique sem outra especificação. 

No transtorno de Tourette, existem tiques motores múltiplos e um ou mais tiques vocais como coprolalia e ecolalia. Ocorrem muitas vezes ao dia por mais de um ano. Tal transtorno causa prejuízo no funcionamento global do indivíduo e inicia antes dos 18 anos de idade. Coprolalia é a tendência involuntária de dizer palavras obscenas ou fazer comentários depreciativos ou inadequados, podendo fazer referência a excremento, genitais ou ato sexual. Ecolalia nesse caso é quando o indivíduo repete de forma mecânica palavras ou frases que ouve. 

O tratamento irá depender da gravidade e da frequência dos tiques; do sofrimento do paciente, dos efeitos dos tiques sobre a escola ou o trabalho, o desempenho profissional e a socialização; e da presença de outro transtorno mental concomitante. Muitas vezes o bom funcionamento social e acadêmico pode não requerer tratamento. Em geral técnicas comportamentais em especial abordagens de inversão de hábitos e farmacoterapia em conjunto têm o melhor resultado. Antipsicóticos convencionais e de alta potência reduzem os tiques de forma significativa, mas devem ser minuciosamente avaliados em relação à sua indicação principalmente em crianças. 

O mais comum na minha prática clínica em adultos e que coincide com a literatura é a co-morbidade de comportamentos de tique e transtornos ou apenas sintomas obsessivo-compulsivos. Nesses casos os antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina podem ajudar em monoterapia ou em combinação com antipsicóticos. 

Em relação ao prognóstico, geralmente os tiques são transitórios, iniciam com 6 a 8 anos de idade e duram cerca de 4 a 6 anos, cessando no início da adolescência. Quando os tiques envolvem os membros ou o tronco a tendência é que a duração dos tiques seja maior, podendo cronificar-se, já os tiques faciais são de melhor prognóstico. É importante até ressaltar que tal transtorno ocorre tanto em crianças como em adultos e idosos. 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Viver com depressão

Achei pertinente compartilhar esse vídeo com vocês, pois sem dúvida ilustra muito bem como geralmente evolui a depressão. Ouço diariamente no consultório descrições nem sempre tão poéticas, mas muito parecidas com as dramatizadas pela jovem. 

Certamente muitas pessoas irão se identificar com ele, pois a prevalência dessa doença é extremamente alta em todo o mundo. O objetivo é conscientizar o maior número de pessoas a buscar ajuda profissional o quanto antes e interromper esse ciclo tão devastador de sentimentos. 

Procure um psiquiatra ou psicólogo, peça ajuda. Existem diversos tratamentos para depressão e possibilidade de remissão total dos sintomas.



quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Transtornos de humor!

Refere-se a um estado emocional persistente e não apenas e expressão externa, ou afeto, de um estado emocional transitório.

São síndromes, pois consistem em um conjunto de sinais e sintomas que persistem por semanas ou meses, representando um desvio marcante do desempenho habitual do indivíduo e que tende a recorrer de forma periódica ou cíclica.

O humor pode estar ELEVADO, demonstrando expansividade, fuga de ideias, redução do sono, elevada auto estima e idéias grandiosas ou DEPRIMIDO, com perda de energia e de interesse, sentimentos de culpa, dificuldade de concentração, perda ou aumento de apetite, pensamentos de morte ou suicídio.

Os transtornos de humor são basicamente, depressão maior ou unipolar; transtorno de humor bipolar I e II, transtorno distimico ou distimia e  transtorno ciclotímico. Existem outros mais inespecificos. Transtorno de ansiedade não são transtornos de humor.
Transtorno de personalidade antissocial!

Pessoas com esse transtorno têm um padrão global de desconsideração e de violação dos direitos alheios que ocorre a partir dos 15 anos. O diagnóstico não é realizado antes dos 18 anos e são necessárias evidências de transtorno de conduta na infância.

Tais pessoas não parecem ter consciência ou remorso das suas ações. Repetem atos ilegais diversas vezes, mentem de forma quase compulsiva, são impulsivas e facilmente irritáveis.

Geralmente se envolvem em brigas e demonstram desrespeito irresponsável pela segurança dos outros. São sistematicamente irresponsáveis.

São pessoas envolventes, sedutoras, manipuladoras e frias emocionalmente. Fazem tudo em benefício próprio para alcançarem seus objetivos individualistas.

O prognóstico é extremamente fechado e o tratamento tem pouquíssima ou nenhuma eficácia. A abordagem pode ser tanto farmacológica quanto psicoterápica de preferência em ação conjunta. A grande questão é que geralmente não há motivação pessoal para o tratamento, dificultando ainda mais  a possibilidade de melhora do quadro.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Depressão!

A depressão é uma doença psiquiátrica que afeta pessoas de qualquer idade, sexo, raça, condição cultural ou financeira. 

Caracteriza-se basicamente por anedonia, apatia, alterações cognitivas (como capacidade de relacionar-se, de concentrar-se ou de tomar decisões), alterações psicomotoras (como lentidão, fadiga e sensação de fraqueza), alterações do sono (tanto insônia como hipersonia), alterações do apetite (com diminuição ou aumento do mesmo), déficit de libido, isolacionismo social, ideação suicida e prejuízo funcional (no trabalho ou na escola, por exemplo).

A depressão é diferente do humor triste situacional que é uma das emoções básicas do ser humano e corriqueiras vivenciadas por todo indivíduo em algum momento da sua vida. 

Para que haja o diagnóstico de depressão os sintomas acima descritos devem ser duradouros, persistentes a maior parte do dia, quase todos os dias por pelo menos duas semanas, causando prejuízo no funcionamento global do indivíduo. 

A prevalência de depressão é de cerca de 19% na população mundial. De 5 pessoas uma sofre, sofreu ou sofrerá de depressão. A OMS estima que em 2030 a doença será a mais comum, ficando à frente do câncer. 

A depressão é mais comum entre pessoas de 24 a 44 anos, mas tenho percebido o aumento de casos entre idosos, crianças e adolescentes. As mulheres são mais acometidas pela doença pela questão hormonal e outras fatores ainda não tão evidentes. Também é mais prevalente em países subdesenvolvidos e de clima frio. 

Em relação às causas, são inúmeras e bastante controversas. Acredita-se que o fator genético seja preponderante. Diferente do que muitas pessoas imaginam os estressores ambientais e sociais podem ser consequências da depressão e não as causas da mesma.

Existem muitos pacientes que comentam sobre o fato de não perceberam causas pontuais para estarem com a depressão, culpando-se ainda mais pela situação, o que dificulta o tratamento, piorando sobremaneira o prognóstico.

Existem evidências de desequilíbrio entre os neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina os quais atuam no sistema límbico cerebral, área das emoções. Outros processos que ocorrem a nível neuronal estão envolvidos. O estresse pode desencadear a depressão em pessoas que têm alguma predisposição genética. 

Sempre lembrando que existem doenças clínicas que podem desencadear a depressão, nesses casos a depressão é tratada de forma secundária. O tratamento direciona-se para a doença de base até que os sintomas depressivos desapareçam. 

O tratamento para depressão é essencialmente medicamentoso, com antidepressivos. Existem mais de 30 possibilidades de fármacos no mercado. Utiliza-se monoterapia ou associações farmacológicas por período que deve ser determinado pelo médico psiquiatra. Cada pessoa tem suas particularidades e podem apresentar a mesma doença de formas diferentes. O tratamento deve ser, portanto, individualizado. Algumas pessoas precisam de manutenção do tratamento por tempo prolongado e/ ou preventivo, dependendo de uma série de fatores a serem avaliados em consultório. 

A psicoterapia auxilia no tratamento da depressão como coadjuvante, mas é importante que o paciente encontre-se emocionalmente mais estável  e não na fase aguda da doença para que não haja agravo do quadro. Todas as possibilidades devem ser avaliadas pelo psiquiatra e prescritas se necessário. A psicoterapia auxilia na reestruturação psicológica da pessoa, aumentando sua compreensão acerca do processo da doença e resolução de conflitos que possam ter sido e tornarem-se gatilhos para novos episódios. 



quarta-feira, 6 de julho de 2016

Psicoterapia em pacientes idosos!

A psicoterapia no idoso vem sendo um tema gerador de controvérsias ao longo dos anos. Freud desaconselhava essa prática em pacientes perto ou acima dos 50 anos e em meados de 1972 publicou que: "A elasticidade dos processos mentais dos quais depende o tratamento via de regra se acha ausente, as pessoas idosas já não são mais educáveis...".

Porém, um fato interessante é que Freud compartilhou essa ideia quando estava com quase 50 anos e em fase plena de sua atividade mental. Após 15 anos foi concluído por Abraham que a idade da neurose é muito mais importante do que a idade do paciente em termos de prognóstico. 

As psicoterapia  existentes, inclusive a de orientação analítica, são todas eficazes para tratar o idoso em sofrimento psíquico; entretanto, é imprescindível que a avaliação e indicação seja cuidadosa. 

Atualmente o idoso tem ganhado espaço e, conseqüemtemente, a psiquiatria Geriatrica ou psicogeriatria, visibilidade social. Cada vez mais o idoso é considerado um indivíduo preservado em sua identidade; portanto, passível de qualquer abordagem psicoterápica. 

Os pacientes idosos procuram cada vez mais a abordagem psicoterápica quando necessitam de tratamento psiquiátrico. Além disso, percebo que são tratados de forma diferente dos pacientes jovens, mesmo quando sofrem do mesmo transtorno psíquico. Uma das explicações para essa minha observação é o fato de o diagnóstico e o tratamento em idosos serem mais complexos na medida em que, em geral, esses pacientes têm diversas comorbidades clínicas, o que torna difícil diagnosticar e tratar transtornos mentais e orgânicos de forma concomitante. 

Também é perceptível que estudos que abordam psicoterapia no idoso são ainda escassos se comparados aos artigos com abordagem farmacológica, o que também acaba desmotivando os profissionais de saúde mental a tratar de pacientes idosos. 

Nem todo idoso é incapaz de modificar atitudes e comportamentos e que através de uma avaliação minuciosa acerca dos recursos internos e externos do paciente, da real capacidade cognitiva, se é saudável ou se possui alguma patologia, é possível selecionar a abordagem psicoterápica mais adequada e eficaz para cada paciente. 

Os dados de prevalência para transtornos mentais em idosos variam bastante, mas em geral 25% tem sintomas psiquiátricos significativos e o diagnóstico mais estudado é depressão. 

Em relação às técnicas psicoterápicas a que demonstra maior eficácia clinica é a terapia cognitiva comportamental (TCC).

Então, no âmbito da saúde mental, é perceptível que ha maior procura de idosos por tratamentos psiquiátricos e isso engloba qualquer modalidade dentro da especialidade psiquiatrica, inclusive psicoterapia nas suas diversas modalidades.

A marginalização e a visão estereotipada do idoso são hoje em dia ultrapassadas e inadequadas, fazendo do idoso um cidadão apto e capaz em todos os sentidos. 

Diante de um sofrimento psíquico persistente que esteja afetando a sua funcionalidade social, pessoal, emocional ou profissional procure um médico psiquiatra para realizar uma avaliação. 
Existem diversas possibilidades de abordagem para que se consiga melhorar a qualidade de vida ou até mesmo resgata-la. 

Psicoterapias! 

Os tratamentos psicoterápicos, ou seja, as terapias, psiquiátricas ou psicológicas, apresentam quatro categorias. 

PSICOTERAPIA INDIVIDUAL: pode ser breve, geralmente 12 sessões, ou prolongada por tempo indeterminado. Pode ser de APOIO, mais indicada para transtornos de adaptação, crises emocionais agudas ou quando o que se espera é um funcionamento melhorado como na esquizofrenia, por exemplo. ORIENTADA AO INSIGTH, indicada no tratamento da ansiedade, depressões, transtornos dissociativos e somatoformes, transtornos de personalidade, neurose e traumas. 

MODIFICAÇÃO DO COMPORTAMENTO: são um grupo de terapia que trabalha com os princípios da aprendizagem. Nelas estão inseridas a DESSEMSIBILIZAÇÃO SISTEMÁTICA, expondo o paciente a estímulos causadores de ansiedade e ensinando-os a relaxar. Geralmente utilizada nas fobias. SUBSTITUIÇÃO que nada mais é do que substituir um comportamento indesejado por outro desejado (fumar/ mascar chicletes). HIPNOSE que é a indução de um estado avançado de relaxamento durante o qual são realizadas sugestões. Muito utilizada para dores crônicas e transtornos conversivos. 

TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL: utilizada para a modificação de comportamentos prejudiciais ao funcionamento do paciente que acontecem como resultado de respostas cognitivas. Geralmente utilizada para depressão unipolar, criando basicamente pensamentos menos pessimistas e mais realistas. 

TERAPIAS SOCIAIS: ocorrem em grupo, família ou casal as técnicas utilizam os princípios da terapia de casal e de apoio individual. 

Cada caso deve ser avaliado pelo psiquiatra ou psicólogo para que assim seja definida a melhor indicação. As psicoterapias quando há indicação, motivação do indivíduo para realizá-la, persistência e habilitação pelo profissional que a realizará tem resultados surpreendentemente positivos. 

Psicofármacos e automedicação!

Os medicamentos utilizados na psiquiatria se dividem em ANTIDEPRESSIVOS que incluem os ESTABILIZADORES DE HUMOR os ANTIPSICÓTICOS e os ANSIOLÍTICOS / HIPNÓTICOS onde estão inclusos os benzodiazepinicos. 

Esses fármacos afetam os neurotransmissores principalmente as monoaminas que são noradrenalina, dopamina, serotonina, acetilcolina e histamina e os aminoácidos ácido Gama -aminobutirico (GABA) e o ácido glutâmico. 

Cada fármaco tem sua indicação, particularidades, incluindo efeitos adversos e indicações. A anamnese que é o momento em que obtemos informações do paciente para que seja realizado o diagnóstico deve ser minuciosa. 

O paciente precisa dar o máximo de informações nesse momento e o médico precisa questionar acerca de tudo que avaliar como necessário, caso o paciente já não o tenha informado. 

Doenças clínicas e uso de medicações de uso contínuo para hipertensão arterial, diabetes, glaucoma, insuficiência renal, doenças auto imunes e outras infinidades de doenças agudas ou crônicas  podem contraindicar o uso de psicofármacos ou, se mesmo nessas condições precisarem serem prescritas, é necessário ajuste de doses e avaliações mais frequentes com solicitações sistemáticas de exames laboratoriais para avaliar função hepática, renal e tireoidea se necessário.

Os transtornos de humor podem também ser causados por uma condição clínica geral, ou seja, podem ser causados por uma doença orgânica e muitas vezes tratando essa doença de base, os sintomas de humor desaparecem sem que seja necessário o uso de psicofármacos. 

Algumas dessas condições clínicas que podem causar transtornos de humor sendo elas agudas ou crônicas são as seguintes: Doença de Parkinson, Doença de Huntington, Doença de Wilson, Acidente vascular cerebral (AVC), Neoplasia cerebral, Trauma cerebral (TCE), Encefalite, Esclerose múltipla, Epilepsia de lobo temporal, hipertireoidismo, hipotireoidismo, hiperparatireoidismo, hipoparatireoidismo, Uremia, Síndrome de Cushing, Doença de Addison, Lúpus eritematoso sistêmico, Artrite reumatoide, Deficiência de folato, Deficiência de vitamina B12 e Síndrome da imunodeficiência adquirida. 

Portanto, utilizar  psicofármacos por conta, seja do vizinho, amigo ou familiar, balconista da farmácia, farmacêutico, enfermeiro, técnico de enfermagem ou qualquer outro profissional mesmo que atue na área da saúde que não seja seu médico NÃO É RECOMENDADO. A auto medicação pode causar efeitos graves e permanentes no organismo, podendo levar a morte. Percebo na prática clínica consequências graves da automedicação e muitas vezes podem ser irreversíveis. Procure um profissional habilitado pra que o mesmo prescreva psicofármacos se forem realmente necessários,  PROCURE SEMPRE O MÉDICO. JAMAIS SE AUTO MEDIQUE!! 

Esquizofrenia de início precoce!

A esquizofrenia é um transtorno mental que causa sofrimento psíquico grave, caracterizada principalmente pela alteração no contato com a realidade. Para que se faça o diagnóstico são necessários 2 ou mais sintomas como alucinações visuais, sinestésicas ou auditivas, delírios, fala desorganizada, catatônismo e/ou sintomas depressivos. Essa doença pode atingir qualquer idade, raça, classe social e País. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) acomete cerca de 1% da população. 

Em geral inicia no final da adolescência e início da idade adulta. Raramente se apresenta em crianças com 5 ou 10 anos e quando acontece é mais comum em crianças do sexo masculino. 

Estressores psicossociais influenciam o curso da doença e é de menor frequência que o transtorno autista.

Na esquizofrenia de início precoce, ou seja, com 5 ou 10 anos, os sintomas iniciam geralmente de forma insidiosa, apesar de que existem relatos de início subido em crianças com bom desempenho escolar anteriormente. 

O transtorno de personalidade esquizotípico é um diagnósticos diferencial, mas não tem manifestações psicóticas como na esquizofrenia, como por exemplo, alucinações, delírios e incoerência. No transtorno de personalidade esquizotípico ocorre, como na esquizofrenia, afetividade inapropriada, pensamentos mágicos excessivos, crenças bizarras, isolamento social e ideias de referência e ilusões o que as torna muito semelhantes em alguns casos. 

Não existem evidências comprovadas em relação à sua causa. Não há até o momento qualquer marcadores biológicos evidentes. Os estudos genéticos têm; portanto, evidência substancial. 

Quando o início da esquizofrenia de início precoce é insidioso, ocorre após afeto inapropriado e comportamento incomum e a criança pode levar meses ou anos para satisfazer critérios diagnósticos. Pode apresentar deterioração no desempenho junto com sintomas psicóticos. Portanto o diagnóstico demora para ser estabelecido. Torna-se por isso necessário que haja um acompanhamento psiquiátrico/psicológico por tempo indeterminado tratando-se a sintomatologia com medicações se necessário e orientando tto multidisciplinar. 

Geralmente o tratamento medicamentoso ocorre com antipsicóticos, mas é necessária uma programação educacional individualizada e intervenções para habilidades sociais de forma concomitante. O tratamento deve ser multidisciplinar como já mencionado para que haja um melhor prognóstico. 

Psicoterapia intensiva e de apoio ao longo prazo combinada a farmacoterapia é a abordagem ideal. 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Psiquiatria...


Uso abusivo e indiscriminado de Benzodiazepinicos!

Benzodiazepinicos são um grupo de fármacos ansiolíticos utilizados para vários fins como redução da ansiedade e agressividade, sedativos, hipnóticos indutores do sono, relaxantes musculares, pois reduzem o tônus muscular e possuem atividade anticonvulsivante. 

Os efeitos descritos irão depender do benzodiazepinico e da forma como será prescrito, incluindo turno de tomada e dosagem. Essas medicações são depressoras do sistema nervoso central e agem basicamente aumentando o neurotransmissor GABA, atenuando as reações químicas provocadas pela ansiedade. 

Esses fármacos estão presentes na prática médica há cerca de 40 anos e já foi considerado tratamento de primeira escolha para diversas patologias. O primeiro benzodiazepinico foi o Clordiazepóxico e seu efeito foi descoberto acidentalmente, virando alternativa aos barbitúricos e outros sedativos utilizados antes da década de 70. 

Teoricamente tal benzodiazepinico apresentava menos risco de depressão respiratória do sistema nervoso central, além de diminuir o potencial de tolerância e dependência. A partir daí foram lançadas no mercado uma infinidade de Benzodiazepinicos, podendo ser utilizadas por via oral, intravenosa, intramuscular ou retal. Então na década de 70 houve uma explosão de prescrições dos benzodiazepinicos. Eles começaram a ser amplamente prescritos e de forma, eu diria, desenfreada e indiscriminada. 

A Organização Mundial de Saúde mostrava consumo anual de 500 milhões no Brasil, acredito que hoje muito mais. Já na década de 80 foi detectado uso nocivo e risco de dependência dessas substâncias, diminuindo a atividade psicomotora, prejudicando a memória de forma permanente, tonturas, zumbidos e reação paradoxal como desinibição, agressividade e excitação. Além disso, houveram evidências de tolerância e dependência química o que é ainda, infelizmente, negligenciado ou desconhecido por muitos prescritores. 

Apesar da crescente consciência dos seus malefícios não só no meio médico, mas também pela comunidade leiga, eles continuam a serem amplamente utilizados e percebo isso na minha prática clínica diariamente. O uso prolongado, diário e em doses inadequadas desse tipo de substância incluem deterioração geral da saúde mental e física, posso garantir. 

Percebo em pacientes que fazem uso indevido de Benzodiazepinicos prejuízo cognitivo, problemas afetivos e comportamentais, como agitação, dificuldade de pensar de forma criativa, diminuição da libido, agarofobia, fobia social, ansiedade e incapacidade de expressar emoções. De acordo com a minha observação clinica em consultório de 100 pacientes atendidos 80% usam ou já fizeram uso de algum benzodiazepinico para causas diversas, incluindo crianças, adolescentes, adultos jovens e idosos. Dos pacientes que fazem uso por cerca de 12 meses, mas já vi bem antes disso, 90% desenvolveu algum prejuízo na memória recente e isso não pode ser coincidência. 

Desses 100 pacientes todos eles são dependentes da medicação e tiveram sintomas da síndrome da abstinência ao tentar suspendê-las mesmo que de forma gradual como deve ser. O uso de tais medicações é maior entre mulheres idosas, mas o aumento da sua utilização em crianças e adolescentes é alarmante. Quando pergunto de que forma conseguem tais substâncias respondem que é muito fácil consegui-las. Conseguem dos amigos, vizinhos, parentes, balconistas de farmácias, farmacêuticos, médicos, internet e por aí vai. A lista de possibilidades é inacreditavelmente grande.

Deixo claro que os Benzodiazepinicos são medicações seguras e eficazes se forem prescritas, por médicos obviamente, com muita cautela após avaliação criteriosa e cuidadosa, devendo ser por tempo limitado e que seja sempre a última possibilidade. Hoje em dia existem diversas abordagens farmacológicas alternativas a esses fármacos, não precisando mais serem prescritos como primeira escolha para nenhuma patologia. Deixo claro que nunca é tarde para descontinuar o uso desse tipo de medicação, existem alternativas, procure o seu médico psiquiatra e converse sobre isso. O benefício a longo prazo é gratificante.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Ansiedade

Os transtornos de ansiedade é um dos grupos mais comuns de doenças psiquiátricas. Esses transtornos acometem mais as mulheres do que os homens e existem três teorias psicológicas para explicar a sua causa. A teoria psicanalítica, a comportamental e a existencial. Entres os transtornos de ansiedade estão: transtorno de pânico e agarofobia, fobia específica e social, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de estresse pós traumático, transtorno de estresse agudo e transtorno de ansiedade generalizada.

- Transtorno de pânico com ou sem agarofobia: é quando há ocorrência espontânea e inesperada da ataques de pânico que nada mais são do que períodos distintos de medo intenso que podem variar em freqüência e intensidade, ou seja, os ataques de pânico tem sintomatologias diferentes em cada pessoa. Os ataques de pânico podem ou não estar acompanhados de agarofobia que é o medo de ficar só em locais públicos. É bastante comum que o transtorno de pânico seja acompanhado de outras comorbidades psíquicas como transtornos depressivos, fobia social ou específica, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de estresse pós traumático, transtorno obsessivo-compulsivo, hipocondria, transtornos de personalidade e transtornos relacionados a substâncias. Um ataque de pânico sozinho não é codificável. É necessário que haja um período distinto de intenso temor ou desconforto, no qual quatro dos seguintes sintomas se desenvolveram abruptamente, alcançando um pico em dez minutos: palpitação ou taquicardia, sudorese, tremores, sensação de falta de ar ou sufocamento ou asfixia, dor ou desconforto torácico, náusea ou desconforto abdominal, sensação de tontura, sensação de irrealidade ou de estar distanciado de si mesmo, medo de perder o controle ou enlouquecer, medo de morrer, anestesia ou sensação de formigamento, calafrios ou ondas de calor. O tratamento mais eficiente é a combinação da farmacoterapia com a terapia cognitivo comportamental (TCC). As medicações mais utilizadas são os antidepressivos e os benzodiazepínicos, sendo que os últimos devem ser prescritos com cautela em menor dosagem possível e de forma breve, apenas para os sintomas mais agudos, pois há risco de dependência química e déficit de memória com seu uso indiscriminado e a longo prazo. Os antidepressivos mais estudados para esse fim são a Paroxetina, Sertralina ou Fluvoxamina.

-Fobias específicas e social: fobia é o termo utilizado para o medo excessivo de objeto, circunstância ou situação específica. A fobia específica é o medo intenso e persistente de um objeto ou de uma situação, enquanto a fobia social é o medo intenso e persistente de situações em que possa ocorrer embaraço. A fobia social também é conhecida como transtorno de ansiedade social. Pessoas com tal transtorno tem medo de humilhação ou embaraço nas situações sociais como falar em público, urinar em banheiros públicos e falar com alguém que intencione namorar. Existe também a fobia social crônica que é extremamente incapacitante, caracterizada pela evitação fóbica da maioria das situações sociais. O tratamento mais estudado e eficiente para fobias é o tratamento comportamental. Existem várias técnicas de tratamento comportamental, dente as quais a mais comum é a dessensibilização sistemática.

-Transtorno obsessivo-compulsivo:  são obsessões ou compulsões recorrentes, suficientemente graves para causar sofrimento notável. Isso consome tempo e interfere de forma significativa na rotina normal da pessoa, no desempenho no trabalho, nas atividades sociais e nos relacionamentos afetivos. Obsessão é um pensamento, sentimento, idéia ou sensação recorrente, persistente e intrusiva. A compulsão é um comportamento consciente, padronizado, recorrente, como contar, verificar ou evitar. A pessoa com tal transtorno percebe a anormalidade; porém, não consegue controlar-se. O ato compulsivo é uma tentativa do indivíduo de diminuir a ansiedade causada pela obsessão, mas muitas vezes aumenta a ansiedade. Para o TOC estudos bem controlados verificaram que a farmacoterapia, a terapia comportamental e a combinação de ambas é eficaz para reduzir os sintomas de forma significativa. A decisão sobre qual o tratamento utilizar se baseia no julgamento e na experiência do clinico e na aceitação do paciente para as várias modalidades. Em relação à farmacoterapia, a intervenção padrão é iniciar o tratamento com antidepressivos chamados inibidores da recatavas de
serotonina como fluoxetina, citalopram, escitalopram, Fluvoxamina, Paroxetina e Sertralina ou com clomipramina

- Transtorno de estresse pós traumático  e transtorno de estresse agudo: o trsbatorno de estresse pós   traumático (TEPT) é uma condição que se desenvolve quando um indivíduo vivência, presencia ou tem notícia de um estressor traumático extremo. O indivíduo reage com medo e impotência, revive de firma persistente o acontecimento e tenta evitar lembrar-se dele. Para o diagnóstico os sintomas devem durar por mais de um mês após o acontecimento e afetar de modo significativo áreas importantes da vida como familiar e profissional. O transtorno de estresse agudo ocorre mais precocemente do que o TEPT, dentro de quatro semanas do acontecimento,  e tem remissão dentro de dois dias a quatro semanas. As principais abordagens são apoio, encorajamento para discutir o acontecido e intrusão sobre uma série de macanismos para lidar com ele, por exemplo, relaxamento. Sedativos e hipnóticos podem ser úteis, mas sempre lembrando que precisam ser prescritos de forma moderada e breve.

-Transtorno de ansiedade generalizada: ansiedade e preocupações excessivas sobre vários acontecimentos ou atividades, na maior parte dos dias, durante o último período de seis meses. A
preocupação é difícil de ser controlada e se associa a sintomas somáticos como tensão muscular, irritabilidade, dificuldade de dormir e inquietação. Esse diagnóstico não é feito quando ocorre somente durante um transtorno de humor ou outro psiquiátrico ou de causa orgânica. O tratamento mais eficaz é a combinação de farmacoterapia e abordagens de apoio. As abordagens terapêuticas variam de cognitivo comportamental, de apoio e a orientado ao insight. Em relação a farmacoterapia as três principais  opções são a buspirona, benzodiazepinicos quando muito necessários, e antidepressivos inibidores da recaptacao de serotonina. Triciclicos, anti-histamínico e antagonistas beta adrenergicos, como o propanolol, também podem ser considerados.

a ansiedade nas suas diversas formas de apresentação soa extremamente comum. O mais importante é conseguir identificar alguns sintomas que estejam causando prejuízo no funcionamento global e preocupar ajuda especializada. Os tratamento duram de 8 a 12 meses, dependendo do caso. Não tenha vergonha de procurar um médico psiquiatra ou psicólogo para uma melhora avaliação e escolha de intervenção.

Dados tirados de experiência pessoal clinica e do Manual Conciso de Psiquiatria.

quarta-feira, 23 de março de 2016

O filme 50 tons de cinza!

Há poucos dias assisti ao filme "50 tons de cinza", um dos livros cuja trilogia foi escrita pela autora Erika Leonard ou E.L.James. Minha primeira surpresa foi o fato de o filme ser descrito por muitos como um "Romance", aliás a estréia se deu no dia dos namorados. Mas então? "Romance", fora do campo literário, não seria um caso de amor ou uma situação que envolve pessoas apaixonadas? Não seria uma história em que há respeito entre os pares e em que jamais fariam mau ao outro de forma deliberada ou pelo menos sem intenção de ferir?? O filme 50 tons de cinza não é um romance e poderia até ser classificado como filme de terror, na minha opinião. Mas enfim, minha preocupação é de como as pessoas, principalmente os jovens, irão absorver e entender essa história. Fico pensando se os milhares de telespectadores entendem que o conteúdo desse filme é extremamente tóxico para a mente. Me preocupa o fato de uma história triste, bizarra e doentia, como mostra de forma estereotipada a relação sadomasoquista entre Grey e Anastásia, está sendo contada e vista por muitos como uma história romântica e excitante. Percebi algumas pessoas maravilhadas e deslumbradas mas, certamente com a beleza dos atores e sua nudez explícita, com os carros luxuosos, com o dinheiro empreendido de forma ostentadora e indispensável e não com o conteúdo do filme em si, a não ser que estejam doentes como estão os personagens principais da história. A relação sadomasoquista em qualquer de seus " espectros" é doentia, perigosa, tóxica e intensamente abusiva sob o ponto de vista físico e emocional. O glamour com que essa relação é apresentada ao público não pode anular o conteúdo perigoso do filme. As pessoas precisam saber que esse tipo de relação não tem nada de glamouroso, pelo contrário, é extremamente prejudicial e perverso. São impulsos perversos. Segundo Kaplan e Sadock, o masoquismo e o sadismo sexual são parafilias, expressões anormais da sexualidade, que podem variar de um comportamento " quase normal" a um comportamento destrutivo ou danoso somente para a própria pessoa (quando fica apenas na fantasia, não envolvendo uma segunda pessoa) ou também para o parceiro, até um comportamento considerado destrutivo ou ameaçador para a comunidade como um todo. Pessoas que se reconhecem com tais comportamentos precisam realizar avaliação mental minunciosa com psiquiatra ou psicólogo e iniciar tratamento o quanto antes. O tratamento para parafilias, que para mim, deveria ter sido o desfecho do filme, Gray e Anastásia em tratamento, incluem cinco tipos de intervenção: controle extremo (informar familiares e orientá-los acerca dos riscos e a não oportunizar situações de risco para o paciente), redução dos impulsos sexuais (com medicações que diminuem o nível de testosterona, por exemplo), tratamento de condições co-mórbidas (depressão ou ansiedade com antidepressivos, por exemplo), terapia cognitivo comportamental (para interromper padrões parafílicos aprendidos e modificar comportamentos para torná-los socialmente aceitáveis) e psicoterapia dinâmica (menos intensa e geralmente mais breve se comparada à psicanálise, dando mais atenção a dinâmica da relação entre paciente e terapeuta). Enfim, espero que ao assistir ao filme as pessoas percebam que Anastásia e Grey estão mentalmente gravemente doentes e que necessitam de ajuda especializada. 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Conceito de normalidade!



Muitas pessoas se perguntam o que é ser "normal"?  Essa questão é muito controvérsia. Na verdade existem diversos critérios a serem avaliados para que se possa definir a normalidade. Tudo depende do objetivo que se tem em mente, das opções filosóficas disponíveis e dos fenômenos específicos com os quais se trabalha. No livro " psicopalologia e semiologia dos transtornos mentais", de Paulo Dalgalarrondo, os critérios de normalidade estão muito bem definidos. Resumo-os da seguinte forma:
1- Normalidade como ausência de doença: normal do ponto de vista psicopatológico, seria o indivíduo que não é portador de um transtorno mental definido...
2- Normalidade ideal: a normalidade aqui é tomada como uma certa utopia. Tal norma é de fato socialmente constituída e referendada. Depende, portanto, de critérios socioculturais e ideológicos arbitrários, e, às vezes, dogmáticos e doutrinários...
3- Normalidade estatística: identifica normalidade e freqüência. Trata-se de um conceito de normalidade que se aplica especialmente a fenômenos quantitativos, com determinada distribuição estatística na população geral, como peso, altura, tensão arterial, horas de sono, quantidade de sintomas ansiosos e etc. Os indivíduos que se situam estatisticamente fora de uma curva de distribuição normal, passam a ser considerados anormais ou doentes...
4- Normalidade como bem estar: A OMS definiu a saúde como completo bem estar físico, mental e social... É um conceito vasto e impreciso, pois bem estar é algo difícil de se definir objetivamente. Além disso, parece um tanto utópico...
5- Normalidade funcional: tal conceito baseia-se em aspectos funcionais e não necessariamente quantitativos. O fenômeno é considerado patológico a partir do momento em que é disfuncional, produz sofrimento para o próprio indivíduo ou para o seu grupo social...
6- Normalidade como processo: aqui consideram-se os aspectos dinâmicos de desenvolvimento psicossocial, das desestruturar e das reestruturações ao longo do tempo, de crises, de mudanças próprias a certos períodos etários....
7- Normalidade subjetiva: é dada maior ênfase à percepção subjetiva do próprio indivíduo em relação a seu estado de saúde, às suas vivências subjetivas....
8- Normalidade como liberdade: Alguns autores de orientação fenomenológica e existencial propõe conceituar a doença mental como perda da liberdade existencial. Dessa forma a saúde mental se vincularia às possibilidades de transitar com graus distintos de liberdade sobre o mundo sobre o próprio destino....
9- Normalidade operacional: defini-se o que è normal e o que é patológico e busca-se trabalhar operacionalmente com esses conceitos, aceitando as consequências de tal definição previa...

Então, de acordo com Paulo, de modo geral, pode-se concluir que os critérios de normalidade e de doença em psicopatologia variam consideravelmente em função dos fenômenos específicos com os quais se trabalha e, também, de acordo com as opções filosóficas do leitor...

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Relação entre atividade física e saúde mental!






       Olá pessoal,  a relação entre a atividade física e a saúde mental já é assunto bem fundamentado. Mas como a atividade física pode influenciar de fato na nossa saúde mental? Pois então, existem diversas evidências de que a atividade física regular, avaliada e acompanhada por educador físico de acordo com as limitações de cada um, elevam a autoestima, a imagem corporal, as funções cognitivas, a socialização, dependendo do tipo de atividade, a diminuição da ansiedade e melhora da depressão. O sedentarismo, segundo um estudo realizado em Harvard, é o gasto calórico semanal que deveria ser em torno de 2200 cal, dependendo do paciente. Esse hábito nocivo de vida está relacionado não apenas com as doenças clínicas orgânicas, como por exemplo, Hipertensão Arteria Sistêmica (H.A.S), Diabetes (D.M), obesidade, osteoporose, alguns cânceres, doenças coronarianas, isquemia cerebral (A.V.C), Alzheimer e Parkinson, mas também com as doenças psíquicas, pois diminuem o tempo de melhora e agravam o prognóstico das mesmas. A O.M.S estima que o sedentarismo contribui para 2 milhões de mortes anuais no mundo e 60% da população mundial não pratica atividades físicas regularmente. A atividade física melhora sim a atenção, a memória, a agilidade e o padrão do humor, aumentando os níveis de neurotransmissores e, modificando estruturas cerebrais. Ocorre o aumento da circulação cerebral e há alteração na síntese e degradação de neurotransmissores, além de diminuir a pressão arterial, diminuir níveis de triglicérides e inibir a agregação plaquetária. Todas essas modificações melhora de forma ampla o indivíduo, biologicamente e psiquicamente. Além disso, o estresse crônico pode aumentar os níveis de cortisol sanguíneo, deprimindo o sistema imune, tornando-o assim mais suscetível a afecções orgânicas e conseqüentemente psíquicas. A atividade física frequente e bem assistida está relacionada com o bem estar psíquico e físico em qualquer idade e em todos os sexos, também diminui respostas emocionais descontroladas frente ao estressor, ansiedade e abuso ou dependência de substâncias. A atividade física regular diminui níveis leves e moderados de depressão e ansiedade e se relaciona com alguns comportamentos neuróticos de personalidade. A criatividade e a concentração se expandem. Sempre que possível oriento aos meus pacientes que pratiquem atividade física regularmente e a resposta é sempre positiva, é um excelente coadjuvante nos tratamentos psiquiátricos farmacológico e psicoterápico.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O cão como acompanhante terapêutico!

Muito interessante o artigo que acabei de ler acerca do impacto positivo que um cão pode oferecer ao dono que esteja deprimido. Na minha prática clínica percebo o quanto ter um cão e cuidá-lo é realmente um grande aliado no tratamento de doenças psíquicas como a depressão, por exemplo. 

"Depressão é doença freqüentemente associada a forte estigma social, provocando afastamento do convívio, intensificando sintomas emocionais da doença como tristeza e sentimentos de baixa estima”, diz o médico Rakesh Jain, diretor de pesquisa de drogas psiquiátricas, do Centro de Pesquisas Clínicas de Lake Jackson, no Texas. “Enquanto médico, familiares e amigos, devem formar as bases  de qualquer rede de apoio, os cães podem desempenhar importante papel como companhia permanente. Eles podem ajudar a reduzir sintomas emocionais, ao mesmo tempo em que, possivelmente auxiliam em outros sintomas como fadiga ou falta de energia, em caminhadas diárias”.

Pesquisas têm demonstrado que há muitos benefícios em potencial ao ter um cão que auxilia o cuidado de profissionais de saúde de pacientes com depressão.
A maioria dos proprietários de animais sente que esses animais de estimação tornam-se extremamente importantes quando estão tristes, solitários e deprimidos.
Cães demonstram qualidades desejáveis de um bom amigo: ouvem, oferecem contato físico e empatia.
Metade das pessoas que possuem um cão acreditam que seus animais fazem diferença na vida. O aumento da quantidade de exercícios e a companhia são as diferenças mais importantes referidas.
Adotar cães está vinculado a maior satisrfação na vida e melhor saúde física e mental." 


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Legalização da maconha!

A declaração da (ABP) Associação Brasileira de Psiquiatria sobre a polêmica acerca da legalização da maconha é muito interessante e expressa com clareza o meu ponto de vista sobre o tema. Indico a leitura.


http://www.abp.org.br/manifesto/manifesto.pdf

Transtorno misto ansioso e depressivo!

 Acredito que a maioria das pessoas conheçam as doenças depressão e ansiedade como sendo dissociadas e distintas. Na verdade os são; porém, podem coexistir. Existe, portanto, na psiquiatria, o chamado TRANSTORNO MISTO DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO. Ocorre nesse caso a combinação de sintomas e isso é muito mais prevalente do que imaginamos. No manual conciso de psiquiatria os autores dizem que é comum a coexistência de transtorno depressivo maior e transtorno de pânico, que é um dos transtornos de ansiedade. Relata que até 2/3 dos pacientes com sintomas depressivos apresentam sintomas proeminentes de ansiedade, e um terço pode satisfazer os critérios diagnósticos para transtorno do pânico. Exatamente o que percebo na minha prática clínica. Em relação ao tratamento existem diversas modalidades. Existem as abordagens psicoterapêuticas, como TCC (terapia cognitivo comportamental) e psicoterapia orientado ao insight, por exemplo. Existe a abordagem farmacológica, podendo incluir ansiolíticos, antidepressivos ou ambos. A decisão do tratamento com ansiolíticos precisa ser muito cautelosa devido ao risco de o paciente criar dependência química pelo mesmo e prejuízo permanente, principalmente na memória recente, com o uso a longo prazo desse tipo de substância. Os mais conhecidos são: Diazepam, Clonazepam (famoso Rivotril), Bromazepam e Alprazolam. Geralmente, quando realmente muito necessário, e isso deve ser avaliado em cada  paciente porque cada caso tem a sua especificidade e por isso não há uma regra geral ou um protocolo a ser seguido, prescrevo ansiolíticos apenas no início do tratamento até que o antidepressivo inicie o seu efeito terapêutico e em seguida vou suspendendo o ansiolítico gradualmente. Em relação à quais antidepressivos utilizar prefiro os serotoninérgicos a despeito das teorias noradrenérgicas presentes. Na minha opinião 
são mais eficazes e incluem a Fluoxetina, Paroxetina, Sertralina, Citalopram, Fluvoxamina ou Venlafaxina, geralmente. Na minha prática clínica procuro multidisciplinaridade o tratamento com terapia concomitante a terapia medicamentoso. Um forte abraço e espero ter ajudado de alguma forma. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Conceito de saúde!

Iniciarei escrevendo acerca da definição de SAÚDE a qual engloba a SAÚDE MENTAL, obviamente nosso tema principal. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), saúde é um estado completo de bem estar físico, mental e social e não somente a ausência de afecções e enfermidades. Eu iria um pouco além disso. Acredito que saúde seja o estado completo de bem estar físico, mental, social e espiritual e não somente a ausência de afecções e enfermidades. Sim eu disse ESPIRITUAL! Atualmente a questão da espiritualidade como sendo um dos alicerces da vida saudável, está sendo cada vez mais bem aceita e difundida pelos profissionais da área da saúde. Para mim isso é um grande avanço. Existem muitos estudos e literatura sobre o assunto. Muitos psiquiatras e psicólogos, por exemplo, questionando, estudando e levando em consideracao a espiritualidade no contexto da saúde para melhorar o prognóstico do paciente. Sem me estender no tema espiritualidade, decidi apenas comentar porque  realmente acredito que nos momentos difíceis, o paciente precisa de todo o suporte que puderem encontrar para se tornarem fortes e capazes de lidar com os seus conflitos. Em caso de doença orgânica ou psíquica, a espiritualidade pode sim dar aos pacientes mais motivação para enfrentarem o problema e isso certamente auxilia no tratamento médico. Percebo com a minha experiência como psiquiatra no consultório que os pacientes que seguem ou praticam alguma religião ou que apenas acreditam que haja algo maior, inexplicável ou subjetivo, ou seja, os pacientes que tem FÉ, melhoram dos conflitos psíquicos com menos sofrimento e ultrapassam essa fase enferma mais rapidamente. Aliás não me restrinjo apenas aos pacientes e expando a importância da espiritualidade para todo e qualquer ser humano esteja ele enfermo ou saudável. Mas afinal o que é espiritualidade?.. Segundo o autor Guimarães, Hélio Penna, o qual escreveu " o impacto da espiritualidade na saúde física"....espiritualidade é a propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, á procura de um sentido de conexão com algo maior que si próprio; além disso, Marcelo Saad, que escreveu o livro intitulado "espiritualidade baseado em evidências", comenta que a espiritualidade pode ou não estar ligada a uma vivência religiosa. Citei esses exemplos porque foram com os que eu mais me identifiquei. Acredito exatamente nisso e procuro despertar os pacientes para essa questão quando há brechas para que isso ocorra. Utilizo na minha prática clínica diária para melhor entender os pacientes que a mim solicitam ajuda. Acredito que precisamos ampliar a mente para melhor ajudá-los.. A psiquiatria não é uma área exata,  matemática, e limitada em verdades cientificamente comprovadas. No momento estou lendo o livro  "a psicologia da espiritualidade" cujo autor, Larry Culiford, médico, cirurgião e clínico geral que voltou sua atenção aos estudos de psiquiatria na Escola de Medicina do Hospital St George, em Londres e recomendo a todos vcs meus queridos amigos, é realmente muito interessante. E, para finalizar, todas as pessoas podem apresentar sinais de sofrimento psíquico em alguma fase da sua vida e apenas isso não formu-la quaisquer diagnósticos. E então amigos? O que pensam a esse respeito...aguardo seus comentários.

" Negligenciar a dimensão espiritual é como ignorar o aspecto social ou psicológico do paciente e resulta em falha ao tratar a pessoa integralmente", Harold Koening. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Compartilhando conhecimento!

Queridos amigos, pacientes, colegas médicos de qualquer outra especialidade ou até mesmo psiquiatras, psicólogos, outros profissionais de saúde mental e interessados no tema em geral . Espero que gostem das postagens e que também compartilhem comigo suas dúvidas  e experiências nessa área tão complexa e, muitas vezes difícil; porém apaixonante. Meu objetivo com o Blog é conseguir ajudá-los de alguma forma, compartilhando o meu conhecimento e experiência clínica, bem como, aprendendo ainda mais com a ajuda de todos vocês.


" O valor de todo o conhecimento está no seu vínculo com as nossas necessidades, aspirações e ações; de outra forma, o conhecimento torna-se um simples lastro de memória, capaz apenas, como um navio que navega com demasiado peso, de diminuir a oscilação da vida quotidiana ".
(V.O. Kliutchevski)