quinta-feira, 3 de maio de 2018

Suicidio infantil! Reflexões..

Os dados em relação ao suicídio estão cada vez mais alarmantes. A todo momento estamos sendo bombardeados com notícias de suicídios e não estamos sabendo como lidar com isso, até porque até ha pouco tempo esse assunto era um verdadeiro tabu. Precisamos sim falar sobre o assunto, mas sem nos desesperarmos. Primeiro tenha calma. Está certo que a prevalência aumentou, mas suicídios sempre existiram. Ele faz parte da história da humanidade. Leia, releia, reflita sobre o assunto e olhe para dentro da sua casa, para a sua família, para os seus filhos. 

O suicídio nos últimos 15 anos aumentou de forma assustadora e toma contornos de epidemia. Nunca se ouviu tanto sobre isso como nos últimos tempos e nunca as pessoas cometeram tanto suicídio e acredito realmente que tais dados não sejam porque era subdiagnosticado e sim porque realmente a prevalência aumentou, juntamente com as tentativas. Percebo que ainda existe um tabu em relação ao assunto, mas felizmente cada vez mais existe espaço para discussões. Precisamos perder o medo de falar sobre o suicídio, aliás precisamos perder o medo de falar sobre a morte. 

No Brasil e no mundo cada vez mais jovens têm cometido suicídio. Não existe mais como esconder tal fato, não existe como discutir com a estatística, mesmo que isso ainda cause desconforto. Mas talvez oque mais assuste seja o fato de as crianças estarem cometendo mais suicídios. Muitos pais ainda desconhecem o fato de a depressão infantil ser uma realidade quanto mais aceitar que elas podem se matar. Podem sim! E fazem! 

A saúde mental das crianças está em colapso. Hoje 1 em cada 5 crianças tem algum distúrbio psiquiátrico, o TDAH aumentou em quase 45%, a depressão em adolescentes aumentou em 35% e houve um aumento na taxa de suicídio de 65% em crianças de 10 a 14 anos. A redução do suicídio é uma das prioridades da agenda global de saúde e existe uma meta estabelecida de reduzir em 10% a taxa de suicídio em todo os países até 2020. Existem diversas estratégias de saúde sendo implementadas, mas acredito que a prevenção está mesmo é na casa de cada um de nós. Precisamos fazer algumas reflexões. 

A era da tecnologia e a sobrecarga de trabalho dos pais em busca de bens materiais para a sobrevivência no mundo capitalista está causando uma epidemia de suicídio entre crianças e adolescentes. 

A tecnologia que proporciona o excesso de informação em tempo recorde trouxe junto à falta de controle. Os pais perderam o controle em relação à educação dos filhos. Não há como controlar a tecnologia. O acesso a mesma está cada vez mais precoce. Crianças de 1 ano já sabem manusear os celulares melhor do que qualquer adulto.

Além disso, a valorização do TER da sociedade moderna criou uma auto exigência utópica nas crianças que não conseguem superar as expectativas inatingíveis da sociedade e dos pais. 

Somado a isso vem a culpa dos pais que trabalham o dia todo e que tentam compensar a distância com a péssima educação do DAR sem limites e não dizer NÃO. Aliás essa palavrinha mágica deveria ser dita para todas as crianças pelo menos 1xdia, mas como fazer isso, bancar essa ideia se passam o dia rodo fora? Difícil. As crianças e adolescentes não conhecem frustrações, não entendem que existe hierarquia e desrespeitam de forma deliberada o não. Tornaram-se egocêntricos, superficiais e incapazes de sentir empatia. São verdadeiros reizinhos em um reino destruído.
Não sabem valorizar o que tem, não entendem o esforço para a
aquisição. Tudo ficou muito fácil e acessível. A era do narcisismo, da superficialidade, do vazio existencial, da futilidade. A era da depressão entre crianças e adolescentes, da obesidade infantil, dos transtornos alimentares por padrões irreais e inatingíveis de beleza, da ansiedade, dos vícios por jogos eletrônicos e do suicídio em ascensão como desfecho de toda essa confusão.

Essas crianças estão sendo criadas pelas babás e pelas escolas. São "educadas" para serem as melhores em tudo, para tirarem as melhores notas, para passarem no vestibular, para ganharem muito dinheiro, serem trilingües, jogadores famosos de futebol, "treinados" para ter poder, dinheiro e fama. Esqueceram de perguntar a elas sobre o que gostam, aliás elas não tem espaço para se conhecerem como seres autônomos com vontades e idéias próprios. Não existe espaço na agenda para a formação de autonomia, independência, identidade e formação de auto estima saudável e indestrutível. Essas crianças tem mil afazeres, inclusive dormir tornou-se perda da tempo, afinal é preciso correr atrás da perfeição e do que os outros querem para elas. Não é a toa que se mostram com egos frágeis e baixa auto estima. Não é preciso ter bola de cristal ou ser um grande "expert" em saúde mental para saber que tipo de adultos serão, completamente vulneráveis às doenças mentais e ao suicídio. 

  Mas nunca é tarde para tentarmos reverter a situação. Crianças precisam brincar, se divertir, ser cuidadas, amadas e receber afeto. Ocupar o tempo de uma criança com multi tarefas, além da escola que muitas vezes é em tempo integral,  é uma atrocidade a saúde mental da mesma. Crianças precisam da presença dos pais, do seu olhar atento e carinhoso. Claro que precisa interagir com colegas, ir a escola, mas deve haver equilíbrio. Criança precisa receber não, brincar com amigos de forma presencial, na rua, sem celulares, iPads ou computadores como intermediador. Criança precisa se sujar, andar descalça, sentir a grama e a areia da praia nos pés, tomar banho de mar, de rio, lago, cachoeira ou o que for desde que esteja em contato com a natureza e não só no quarto em frente à televisão ou ao computador. Ela precisa de espaço para correr, para falar, para experimentar. A superproteção também impede o crescimento e a autonomia das crianças tornando-as inseguras e com auto imagem negativa. Precisam aprender a enfrentar as adversidades da vida e não que os pais estarão sempre lá para resolver tudo o tempo todo. Precisam aprender que lá fora, no mundo real, não serão tratados como filhos e sim como pessoas e precisam aprender a lidar com isso. 

Onde estão os jogos de tabuleiro, os pais que rolam com seus filhos nos tapetes brincando de forma lúdica e dando vazão à fantasia, a imaginação e a criatividade dos mesmos? Onde está a família que senta a mesa junto para a refeição, que conversa, que desabafa sem medo, que expõe seus sentimentos de forma natural? Onde estão os pais que ensinam seus filhos que chorar não é feio e sim necessário para elaborar as emoções? Onde estão os pais que enxergam os seus filho e não que fingem enxergar? e que realmente prestam atenção no comportamento  e percebem quando ocorre alguma mudança brusca para poder pedir ajuda? Onde estão os pais que bancam um jantar com os filhos pequenos sem dar celulares ou iPads para distrai-los e poderem comer em "paz"? Aliás onde estão os pais que cuidam da alimentação  dos seus filhos de forma responsável? Hoje em dia não há desculpas em relação a essa questão, pois as informações sobre os venenos que consumimos e chamamos de alimento estão em todos os lugares, basta ler. Onde estão os pais que não dão venenos aos seus filhos? Onde estão os pais que percebem que educar é dar exemplo? As crianças estão dependentes de tecnológica porque seus pais também estão e Crianças com tal dependência têm risco extremante alto de tornarem-se adultos fóbicos, além de aumentar o risco para outras doenças psíquicas. 

A sociedade está realmente insana, discutindo questões de gênero sem se dar conta que falta o básico, o essencial, o mais importante. Enchem a boca para defender "valores modernos", mas não conhecem seus filhos, não sabem o que pensam ou o que sentem. Estamos criando adultos cada vez mais doentes. 

Não podemos achar que tudo que ocorre no mundo da adolescência, 
Por exemplo, pode ser explicado pelas alterações hormonais. Na maioria das vezes o problema está na falta de estrutura familiar. 

Ensine o seu filho desde pequeno a falar sobre os sentimentos, ajude-o a nomeá-los e a entendê-los de forma natural. Fale sobre a morte. Não tenha medo de falar sobre isso, todos morreremos e é a nossa única certeza. Esteja à frente da educação do seu filho, não a terceirize. A decisão de tê-los requer abdicação e estejas preparado para tal. Se não estiveres não os tenha, seja responsável com a humanidade. A sociedade se constrói em nossos lares, não se ofenda, não é pessoais, são reflexões importantes, apenas reflita e se houver algo que possa fazer, faça logo. 

O suicídio é um ato de "COMUNICA AÇÃO". Não existe o ato sem a tentativa prévia de comunica-lo. Esteja atento, preste atenção no seu filho, olhe nos seus olhos, mas o enxergue realmente. Tenha controle do seu mundo virtual, imponha limites, diga não e ao menor sinal de mudança abrupta de comportamento procure ajuda de um psiquiatra.